Sebastian Piñera suspende estado de emergência no Chile

Militares vão sair das ruas depois de ficarem mais de uma semana responsáveis pela ordem pública. Manifestações deixaram 19 mortos no país

Piñera suspende estado de exceção no Chile

Piñera suspende estado de exceção no Chile

Henry Romero/ Reuters - 23.10.2019

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, assinou este domingo (27) os decretos necessários para suspender o estado de emergência que estava em vigor em várias regiões de país, e com isso tirar os militares das ruas depois de eles ficarem mais de uma semana responsáveis pela ordem pública.

"Com o objetivo de contribuir para que o Chile recupere a normalidade institucional, o presidente da república assinou os decretos necessários para que, a partir da 0h desta segunda-feira, 28 de outubro (mesmo horário em Brasília), seja suspenso o estado de emergência em todas as regiões e comunas que tinha sido estabelecido", disse a presidência em comunicado.

Com a decisão, Piñera cumpriu a promessa feita ontem de tirar os militares das funções de patrulhamento das ruas no início da semana. O presidente chileno decretou estado de emergência pela primeira vez desde o retorno da democracia após a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) no último dia 18, quando começou a atual onda de protestos no país com diversas pautas sociais. Além de manifestações pacíficas, houve vários confrontos com a polícia, incêndios e saques, e pelo menos 19 pessoas morreram, entre elas seis cidadãos estrangeiros.

No momento mais crítico da atuação militar, todas as regiões, com exceção de Aysen, no extremo-sul, tinham no mínimo uma cidade com destacamentos das Forças Armadas nas ruas.

A presença dos militares, que posteriormente foi acompanhada por toques de recolher - atualmente suspensos -, provocou uma grande rejeição social.

Além dos 19 mortos, os protestos deixaram mais de mil feridos - a metade durante confrontos com forças de segurança - e mais de 3 mil detidos, segundo dados do Instituto Nacional de Direitos Humanos, uma organização pública, mas independente, que monitora os protestos.