Novo Coronavírus

Internacional Sistema de saúde da Argentina está no limite com avanço da pandemia

Sistema de saúde da Argentina está no limite com avanço da pandemia

Fim de isolamento em várias partes do país levou a um enorme aumento de casos, que fez províncias distantes se aproximarem do colapso hospitalar

  • Internacional | Da EFE

Médico sai de área reservada para pacientes com covid-19 em hospital argentino

Médico sai de área reservada para pacientes com covid-19 em hospital argentino

Juan Ignacio Roncoroni / EFE - 3.9.2020

O sistema de saúde de partes da Argentina está à beira de um colapso durante a pandemia do novo coronavírus, particularmente nas províncias com menor capacidade hospitalar, enquanto o debate sobre estratégia de saúde está crescendo no contexto de uma das quarentenas mais longas do mundo, e os médicos estão apelando para uma maior consciência social entre a população.

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O presidente do país, Alberto Fernández, advertiu que poderia apertar o "botão vermelho" e voltar a uma fase de endurecimento das medidas de contenção e retornar à fase 1 se a situação piorar.

"O mais importante para mim é que as pessoas têm a possibilidade de serem tratadas em um hospital, se ficarem doentes. E há muitos lugares onde o uso de leitos de terapia intensiva cresceu significativamente. Não vou permitir que essa situação chegue a um ponto de colapso", declarou Fernández em entrevista à emissora argentina "Todo Noticias".

Números em crescimento

O risco de colapso do sistema de saúde tornou-se a principal ameaça à medida que a curva de infecção da Argentina aumentava constantemente após mais de cinco meses de medidas de restrição para impedir a circulação do vírus. Porém, recentemente as pessoas voltaram às ruas, e as atividades produtivas, após terem sido paralisadas no final de março, recuperaram-se em cerca de 90%.

A Argentina registrou até agora 439.172 casos de coronavírus e 9.155 mortes por covid-19, enquanto 322.461 foram recuperados da infecção. A região metropolitana de Buenos Aires, que inclui a capital e sua periferia populosa, com mais de 14 milhões de habitantes, continua sendo o epicentro da pandemia com cerca de 84% do contágios.

No entanto, nas últimas semanas o vírus SARS-CoV-2 se espalhou rapidamente pelo país, e 18 dos 24 distritos registram agora transmissão comunitária sustentada. Vários deles tiveram um regime de distanciamento social mais frouxo devido à ausência de casos, e seus sistemas de saúde passaram a estar em alerta devido ao risco de transbordamento.

Sistema de saúde perto do colapso

A ocupação de leitos de terapia intensiva para todos os tipos de patologia atingiu 61,1% nacionalmente e 68,8% na Grande Buenos Aires, mas já entrou em colapso nas cidades de Cipolletti e General Roca, na província de Río Negro, e atingiu 90% em Mendoza e Jujuy, como confirmaram as autoridades sanitárias nacionais.

A saturação do sistema de saúde também está registrada no centro da cidade de Buenos Aires. O renomado Hospital de Clínicas tem 70 de seus 72 leitos de UTI ocupados, segundo informações passadas hoje pelo diretor do centro médico, Marcelo Melo, em entrevista à "Radio Mitre".

A Sociedade Argentina de Terapia Intensiva emitiu um comunicado no qual advertia seus membros que sentem que estão perdendo a batalha e que os recursos para salvar pacientes com coronavírus estão se esgotando

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