Internacional Steve Bannon, a eminência parda de Donald Trump que caiu em desgraça

Steve Bannon, a eminência parda de Donald Trump que caiu em desgraça

Bannon ajudou o ex-presidente a chegar ao poder e é acusado de participação na invasão do Capitólio americano, em 2021

AFP
O ex-presidente Donald Trump e seu aliado Steve Bannon

O ex-presidente Donald Trump e seu aliado Steve Bannon

Carlos Barria/File Photo/ Reuters/ 20.08.2020

Steve Bannon, ex-assessor que ajudou Donald Trump a chegar à Casa Branca, vai se sentar no banco dos réus por desacato em um julgamento em Washington, por se negar a depor sobre a invasão do Congresso americano ocorrida em 6 de janeiro de 2021.

Aos 68 anos, esse antissistema comunga com as ideias da extrema direita, que levou, graças a Trump, ao topo do poder. Facilmente reconhecível por sua cabeleira grisalha, Bannon é acusado de "obstruir as prerrogativas de investigação do Congresso".

O ex-assessor é acusado de ter ignorado a convocação da comissão parlamentar que busca apurar as responsabilidades na invasão do Capitólio. Na véspera, Bannon previu que "um inferno" seria criado. Ele falava ao telefone com Trump, um sinal de que continuava próximo do presidente republicano mesmo depois de esse último tê-lo afastado da Casa Branca.

PERDOADO POR TRUMP

Existem mais provas da ligação entre ambos: o ex-inquilino da Casa Branca, pouco antes de deixá-la, indultou seu ex-colaborador em outro caso, em que ele era acusado de desvio de verbas destinadas à construção de um muro na fronteira com o México.

Nos meses que antecederam a vitória eleitoral de Trump, em 2016, Bannon começou a denunciar uma ordem mundial controlada pelas elites políticas e financeiras, ideias que defendia dirigindo o site de informações polêmico Breitbart, plataforma da “direita alternativa”, movimento associado a teses conspiratórias integrado parcialmente por ativistas convencidos da superioridade da raça branca.

A entrada de Bannon na Casa Branca, em 2017, gerou protestos de associações antirracismo, que lembraram os inúmeros artigos incendiários publicados no Breitbart, que beiravam o antissemitismo, alimentavam a nostalgia pela bandeira confederada ou denunciavam o multiculturalismo. "Não sou um supremacista branco, sou um nacionalista, um nacionalista econômico", ressaltou Bannon em sua primeira entrevista na Casa Branca.

Bannon, em novembro de 2021, foi detido durante investigação sobre invasão do Capitólio

Bannon, em novembro de 2021, foi detido durante investigação sobre invasão do Capitólio

Win McNamee/Getty Images North America/Getty Images via AFP - 15.11.2021

Ao longo dos meses, o "presidente Bannon" nunca obteve o apoio da imprensa, que chamou de "partido de oposição", nem das "elites", que prometeu sacudir. Ele tinha uma relação ruim com o genro de Donald Trump: Jared Kushner.

Bannon foi expulso do governo em agosto de 2017 como resultado de atos violentos na cidade de Charlottesville, Virgínia, durante uma manifestação de ativistas da direita radical.

FINANÇAS E CINEMA

Bannon nasceu em Norfolk, segundo ele em uma família democrata da classe trabalhadora pró-Kennedy e sindicatos. Ao concluir seus estudos, alistou-se na Marinha por vários anos.

O ex-assessor trabalhou como banqueiro de investimentos no Goldman Sachs na década de 1980 e fundou um pequeno banco de investimentos, o Bannon & Co, adquirido pelo Société Générale. Dali, passou para Hollywood. 

Nos anos 2000, começou a produzir filmes políticos sobre Ronald Reagan ou o Tea Party. Conheceu Andrew Breitbart, fundador do site de mesmo nome, e se somou à guerra do Tea Party contra o "establishment" político americano, tanto democrata quanto republicano.

Nos últimos anos, Bannon ampliou seus horizontes e mostrou forte apoio aos partidos de extrema direita ou nacionalistas na Ásia, América Latina e, em particular, na Europa, onde se reuniu com Marine Le Pen.

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