Suécia diz que poderia ter adotado medidas rígidas contra covid-19

O chefe em epidemiologia da Agência de Saúde Pública do país disse que se soubessem antes o que sabem agora, as medidas seriam diferentes

Suécia adotou estratégia menos rigorosa do que vizinhos e a maior parte da Europa

Suécia adotou estratégia menos rigorosa do que vizinhos e a maior parte da Europa

Anders Wiklund / EFE - EPA - 22.4.2020

O chefe em epidemiologia da Agência de Saúde Pública da Suécia, Anders Tegnell, admitiu nesta quarta-feira (3) que deveriam ter sido adotadas mais medidas no país, no início da pandemia da covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus.

"Se nós enfrentássemos a mesma enfermidade, sabendo o que sabemos hoje, acho que acabaríamos fazendo algo no meio termo entre o que a Suécia fez, e o resto do mundo fez", explicou a principal autoridade do setor, em entrevista à emissora pública nacional de rádio.

O país nórdico adotou uma estratégia menos rigorosa do que os vizinhos e a maior parte da Europa, apostando em recomendações gerais e responsabilidade individual, principalmente para proteger grupos de risco, para introduzir restrições graduais.

"A Suécia é um dos poucos países que foi fechando mais e mais, enquanto o restante começou com muito de uma vez. O problema é que não se sabe que medidas têm efeito. Provavelmente, saberemos quando comecemos a levantá-las", disse Tegnell.

No país, houve fechamento de instituições de ensino, mas não de creches, escolas primárias, restaurantes. Foram proibidas visitas a asilos e outros locais de acolhimento de idosos. Além disso, foram limitadas a 50 pessoas as aglomerações nas ruas.

A Suécia tem registro de 38.589 casos e 4.468 mortes, com uma taxa de 43,2 óbitos por 100 mil habitantes, muito superior ao dos vizinhos nórdicos, embora bem abaixo em comparação com os países europeus mais afetados, como Espanha, Itália e Reino Unido.

Mortes em alta

O governo da Suécia anunciou no domingo (31) que, pela primeira vez em dois meses, não houve registro de mortes no território. Na segunda-feira (1º), foram oito falecimentos, enquanto ontem (2) o balanço oficial apontou para 65, acima da média diária recente que gira em torno de 50.

A taxa de contágio, conhecida como R0, segue abaixo de 1, segundo os dados oficiais.