Sumiço de Kim e possível surto de covid-19 podem estar relacionados

Inteligência da Coreia do Sul reforça que sumiço do líder norte-coreano não tem a ver com cirurgia, mas com casos de coronavírus ainda não divulgados

Agência norte-coreana divulgou fotos recentes de Kim Jong-un

Agência norte-coreana divulgou fotos recentes de Kim Jong-un

KCNA/via REUTERS - 1.5.2020

Agentes do NIS, o Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul, afirmam que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, não se submeteu a nenhuma cirurgia recentemente, como indicaram veículos de imprensa para justificar a ausência do chefe de governo em eventos oficiais.

A inteligência sul-coreana, no entanto, destacou que Kim fez apenas 17 aparições neste ano, de acordo com a imprensa oficial norte-coreana, um número considerado muito/ baixo, por isso, não se descarta que o "sumiço" tenha ligação com a pandemia da covid-19.

"A Coreia do Norte mantém a posição de que não há infecções, mas dado que houve numerosos intercâmbios humanos com a China, antes do fechamento da fronteira, em janeiro, não podemos excluir a possibilidade de um surto de coronavírus no Norte", apontou um representante da inteligência sul-coreana.

A imprensa oficial norte-coreana publicou imagens de Kim Jong-un durante a inauguração de uma fábrica, depois de 21 dias sem aparições públicas, inclusive, no 15 de abril, o principal feriado do país.

Cirurgia exigiria semanas de recuperação

A informação, segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap, foi dada pelo parlamentar Kim Byung-kee, do Partido Democrático, que está no poder na Coreia do Sul, após participar de uma sessão da comissão de inteligência do Congresso, que contou com a participação do diretor do NIS, Suh Hoon.

Em meio a esse contexto, marcado pela pandemia da covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus, de que não há registro na Coreia do Norte, segundo o governo, a imprensa mundial se debruçou sobre a situação do líder, sempre com base em fontes anônimas.

Entre as versões veiculadas, estava a realização de uma cirurgia no coração e, inclusive, a morte de Kim.

Os representantes do NIS disseram no encontro da comissão de que um procedimento cardiovascular poderia requerer de quatro a cinco semanas de recuperação, enquanto a ausência de atos públicos durou três semanas.