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Internacional Surtos de coronavírus em Lisboa interrompem otimismo em Portugal

Surtos de coronavírus em Lisboa interrompem otimismo em Portugal

Os surtos foram detectados na periferia de Lisboa, gerando outra alta no número de novos casos do país

  • Internacional | Da EFE

Portugal tornou-se, recentemente, o segundo país da UE com maior número de casos

Portugal tornou-se, recentemente, o segundo país da UE com maior número de casos

Rafael Marchante/Reuters - 30.04.2020

Os surtos de coronavírus detectados na periferia de Lisboa interromperam a boa tendência em Portugal, internacionalmente elogiada no início da pandemia, mas cujo número de novos casos por milhão de habitantes está em alta nos últimos dias, o segundo maior da UE (União Europeia), perdendo apenas para a Suécia.

Isso é o que apontam os dados obtidos em uma plataforma desenvolvida pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que coletou informações relatadas pelos países ao Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças.

Segundo estes dados, no dia 9, Portugal foi o segundo país da UE com mais novos casos registrados por milhão de habitantes.

Além disso, tendo como referência os dados relatados nos últimos sete dias - com uma média de 316 casos por dia em um país de 10 milhões de habitantes -, observa-se que a curva portuguesa está em alta, algo que também ocorre na Suécia e na Polônia. Os números no resto do país se mantém plano ou descendente.

As autoridades insistem que o aumento nos testes explica o aumento dos números, embora os especialistas questionem essa versão.

"Se vamos ver o número de testes, a variabilidade não é tão grande. Haverá uma parte que tem a ver com os traços, mas há uma parte relevante que não é, são os pacientes identificados", disse o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, em declarações ao jornal português Diário de Notícias.

Mexia sustenta que os dados para as regiões de Lisboa e Vale do Tejo são "preocupantes" e que "é essencial acompanhar a evolução dos próximos dias para decidir em que direção vamos".

Mesmo assim, o ritmo previsto é mantido e, na capital, as restrições que duram duas semanas devido a surtos na periferia serão suspensas nesta segunda-feira (15). Os shopping centers serão abertos e restaurantes não terão mais capacidade limitada de 50% , algo que já acontece no resto do país.

Advertências das autoridades

"Todos nós entendemos que a pandemia não terminou e estamos longe do fim da crise?", perguntou o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, em discurso durante o Dia Nacional, em 10 de junho, quando destacou que Portugal "não pode fingir que a pandemia não existia ou não existe".

O feriado que, ao se reunir com Corpus Christi que seria no dia seguinte, abriu uma longa ponte para muitos portugueses, para se deslocarem de carro e também para ir às praias, onde a estação balnear abre oficialmente, mas com medidas distanciamento.

A ponte também se uniu ao clima das festividades populares de Lisboa, nos dias 12 e 13, nos quais são realizados grandes festas nas ruas, proibidas este ano pelas autoridades para evitar multidões que poderiam piorar a situação na região.

Por isso, foram repetidas as advertências das autoridades sanitárias, lembrando que o risco não desapareceu, principalmente para os jovens, o segmento da população mais afetada pelos surtos da periferia de Lisboa, que, segundo o governo, afeta sobretudo trabalhadores temporários e trabalhadores da construção civil.

Já na capital portuguesa, o número de mortes têm diminuído. Nos últimos dias, menos de 10 mortes foram registradas por dia. Como lembra Ricardo Mexía, a mortalidade pela doença nesta região é maior em idosos.

Cresce a desescalada

Apesar da preocupação e vigilância sobre Lisboa, a região suspendeu na segunda-feira (8) restrições que só foram estendidas nesta área devido aos surtos.

Com Portugal na terceira e última fase de reabertura desde 1º de junho, Lisboa foi uma exceção que manteve shoppings e restaurantes fechados, com uma limitação de ocupação de 50%.

Agora, seguirá o ritmo nacional, que busca se adaptar ao "novo normal" para estar pronta para o verão, na tentativa de limitar o impacto sobre o turismo, apresentando-se como um destino responsável que soube administrar com êxito a pandemia.

Uma das datas será o dia 1º de julho, quando a fronteira com a Espanha será reaberta.

A entrata de turistas que chegam de avião também será possível, já que nesse momento as limitações impostas ao tráfego aéreo serão canceladas - caso uma nova extensão não seja estabelecida.

O fim das restrições deixaram rotas possíveis na União Europeia (exceto Espanha e Itália), em países de língua portuguesa, e Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Venezuela e África do Sul.

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