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Internacional Taiwan acusa China de aumentar tensão após demonstração militar

Taiwan acusa China de aumentar tensão após demonstração militar

Governo chinês fez exercícios com 39 aeronaves em região perto da fronteira dos dois territórios para celebrar feriado nacional

AFP
Exercícios militares na fronteira com Taiwan aumentaram durante o mandato de Jinping

Exercícios militares na fronteira com Taiwan aumentaram durante o mandato de Jinping

Greg Baker/AFP - 30/9/2021

Neste sábado (2), Taiwan acusou a China de elevar a pressão e tentar minar a paz na região, após a incursão recorde de 38 aviões militares chineses na zona de defesa da ilha.

A demonstração de força de Pequim começou na sexta-feira (1º), aniversário do Dia Nacional da China, com a incursão de um número recorde de aviões militares chineses, 38 no total, incluindo um bombardeiro H-6 com capacidade nuclear.

Segundo o Ministério do Interior de Taiwan, houve outro recorde neste sábado, com a incursão de 39 aviões na zona da ilha. Os 23 milhões de habitantes do território, governado por um regime democrático, vivem sob a ameaça constante de uma invasão da China.

Pequim considera que a ilha pertence a seu território e ameaça conquistá-la, inclusive pela força, em caso de necessidade.

Desde que Xi Jinping assumiu, em 2012, a liderança do Partido Comunista da China e, em consequência, do país, os aviões militares chineses entram com frequência na Adiz (Zona de Identificação de Defesa Aérea) de Taiwan.

Mas a incursão de sexta-feira provocou uma resposta especialmente forte de Taipé.

"A China foi beligerante e atacou a paz regional ao executar vários atos de intimidação", declarou o primeiro-ministro Su Tseng-chang neste sábado. "É evidente que o mundo, a comunidade internacional, rejeita cada vez mais esses comportamentos da China."

O ministério da Defesa de Taiwan informou que 22 caças, dois bombardeiros e um avião antissubmarino entraram na sexta-feira na Adiz, ao sudoeste da ilha. Durante a madrugada de sábado, um segundo grupo de 13 aviões entrou na mesma zona, de acordo com o ministério.

Adiz não é o mesmo que o espaço aéreo de Taiwan, pois inclui uma área maior que se sobrepõe à parte da zona de identificação de defesa aérea da China continental e até mesmo parte de seu território.

As manobras aconteceram depois que o Reino Unido enviou na segunda-feira (27), pela primeira vez desde 2008, um navio de guerra ao Estreito de Taiwan, o mar que separa esta ilha da China continental e que Pequim considera uma passagem marítima muito sensível.

O exército chinês acusou o Reino Unido de atuar com "má intenção para sabotar a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan". Estados Unidos e outros países julgam que essa zona pertence a águas internacionais e que, portanto, está aberta a todos.

No ano passado, 380 militares chineses foram detectados na Adiz e, no decorrer de 2021, mais de 500 já foram identificados. O recorde diário anterior havia acontecido em 15 de junho, quando 28 aeronaves entraram na zona de defesa aérea de Taiwan.

Alguns analistas advertem que as relações entre a China continental e Taiwan não eram tão tensas desde meados da década de 1990. Fontes militares dos Estados Unidos disseram temer que a China possa estar contemplando invadir a ilha.

Alexander Huang, professor associado da Universidade Tamkang de Taipé, considera que a incursão aérea mais recente não busca apenas enviar uma mensagem a Taiwan.

"A China envia uma mensagem política aos Estados Unidos e ao Reino Unido no dia de seu feriado nacional: 'Não façam bobagens em minha região'", disse Huang, ao recordar que Washington mantém dois porta-aviões na região e Londres, um.

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