Temporada de furacões será mais ativa que o previsto, e com covid-19

Previsão indica que Caribe e sul dos EUA podem ser atingidos por diversos furacões e tempestades tropicais nos próximos meses, em plena pandemia

Ainda lidando com a covid-19, a Flórida deve enfrentar furacões acima do normal

Ainda lidando com a covid-19, a Flórida deve enfrentar furacões acima do normal

Giorgio Vieira / EFE - 5.5.2020

A empresa de serviços meteorológicos AccuWeather atualizou nesta quinta-feira (7) os prognósticos para a temporada de ciclones de 2020 no Atlântico, que pode coincidir com o combate à pandemia do novo coronavírus. Segundo o relatório, apesar de ter previsto inicialmente um número de tempestades tropicais acima do normal, essas cifras devem ser aumentadas.

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Na nova previsão, que atualiza a de 25 de março, foram acrescentadas duas possíveis tempestades tropicais, totalizando entre 14 e 20, das quais entre sete e 11 se transformarão em furacões, também dois a mais que o previsto anteriormente.

A pior notícia é que quatro, cinco ou seis desses furacões deverão atingir a categoria 3 ou mais (na previsão anterior eram de dois a quatro).

Segundo a equipe de meteorologistas da AccuWeather liderada por Dan Kottolowksi, com 43 anos de experiência, entre quatro e seis dos chamados sistemas tropicais podem ter impacto direto no continente americano, em Porto Rico ou nas Ilhas Virgens Americanas.

A nova previsão da empresa reforça a ideia de que a atividade ciclônica no Atlântico estará acima do normal, tal como estava em 2019, o que já estava presente na previsão no final de março.

Aumento da preocupação

A informação gera preocupação na Flórida, onde há receios de que os esforços focados na pandemia de Covid-19 reduzam o tempo disponível para se preparar adequadamente para os furacões, sem falar nos danos adicionais que os fenômenos climáticos podem causar à economia, já duramente atingida.

Kottolowski detalhou que o modelo climático utilizado mostrou que a tendência é que o fenômeno La Niña se desenvolva na segunda metade do verão (do hemisfério norte) de 2020.

"Isto poderia significar uma diminuição do cisalhamento, ou corte vertical do vento, o que poderia limitar o desenvolvimento ou a intensificação dos sistemas tropicais", acrescentou.

Cisalhamento é a rápida mudança de velocidade ou direção do vento. É um fenômeno que pode fazer com que as partes mais elevadas de uma tempestade ou furacão se dirijam na direção oposta à do sistema.

Temporada muito ativa

A temporada oficial dos furacões no Atlântico começa em 1º de junho e termina em 30 de novembro, mas nos últimos dois anos a atividade dos furacões foi vista em maio, com as tempestades Andrea (2019) e Alberto (2018) antes do calendário oficial.

Kottlowksi disse que será uma temporada "muito ativa", o que nunca é bom para a região, mas neste ano pode ser ainda pior por causa da pandemia de covid-19.

De acordo com o meteorologista, em uma estação normal há cerca de 12 tempestades tropicais e seis furacões. Os furacões mais fortes são geralmente três, no máximo. Mas últimas quatro temporadas têm estado acima do normal.

A de 2019, segundo a AccuWeather, foi excepcionalmente ativa, apenas comparável à de 1969, com 18 tempestades, furacões poderosos como Dorian, Lorenzo e Humberto e prejuízos e danos de US$ 11 bilhões (cerca de R$ 64 bilhões).

Abrigos para contagiados?

Com quase 39 mil casos de covid-19 e 1.600 mortes, a Flórida realiza a Semana de Preparação para os Furacões, que passa despercebida devido à pandemia e aos primeiros passos do plano para reativar a economia.

O diretor de gestão de emergências do estado, Jared Moskowitz, está trabalhando com a FEMA, a agência federal para essas questões, em possíveis alterações nos planos de evacuação e abrigo devido à covid-19.

De acordo com declarações divulgadas na quarta-feira, estão sendo estudados abrigos apenas para pessoas infectadas, e algumas estão sendo ordenadas a ficar em casa em vez de evacuar as próprias casas.