Estado Islâmico
Internacional Terrorista de NY tinha objetivo de gerar morte, violência e caos

Terrorista de NY tinha objetivo de gerar morte, violência e caos

Para especialistas, autor do ataque não queria dar “espetáculo”

Terrorista de NY tinha objetivo de gerar morte, violência e caos

Ataque em Nova York, nos EUA, deixou oito pessoas mortas

Ataque em Nova York, nos EUA, deixou oito pessoas mortas

REUTERS

O ataque terrorista que deixou oito pessoas mortas nesta terça-feira (31) em Nova York, nos Estados Unidos, mostrou que os extremistas mudaram o seu comportamento violento e passaram a focar seus objetivos em causar o caos e mortes. De acordo com especialistas ouvidos pelo R7, a tendência a partir de agora é que os atentados não sejam mais “espetáculos” e aconteçam com “mais quantidade e qualidade menor”.

Segundo o professor de Relações Internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Heni Ozi Cukier, os ataques terroristas apresentam essa tendência de se tornarem mais simples pelo desenvolvimento de estratégias mais eficazes de combate a atentados de grandes proporções.

— Todo mundo está se preocupando com o 11 de setembro, sobre qual seria o novo ataque. Essa preocupação resultou na criação de medidas de segurança que foram adotadas no mundo todo e dificultaram a possibilidade de grandes ataques. Por isso, as organizações terroristas se adaptaram e chegaram ao modelo mais fácil e mais simples, podendo ocorrer com mais frequência. Não há mais espetáculo nem qualidade, mas há uma quantidade maior de ataques.

Desde outubro do ano passado, oito outros ataques terroristas envolvendo veículos e deixando pessoas mortas por atropelamento foram realizados na Europa. No último deles, uma van foi usada, no dia 17 de agosto, para atropelar pessoas que estavam na famosa La Rambla, em Barceolona, um dos locais mais turísticos da cidade espanhola. O ataque deixou 16 mortos e foi cometido por uma suposta célula do grupo jihadista radical Daesh (também conhecido como Estado Islâmico).

Conforme explica Cukier, essa tendência ainda mostra que não são somente as armas que determinam a capacidade de alguém cometer atos terroristas.

— Geralmente falam que, quando o terrorista tem armas, mais pessoas acabam mortas. Mas no ataque de Nice, por exemplo, 80 pessoas morreram e ele foi feito com um caminhão. Em Las Vegas não morreram 80 pessoas. A gente não pode colocar uma importância tão grande na ferramenta, mas sim no tipo de problema e na ameaça com a qual nós estamos lidando.

No dia 14 de julho deste ano, data na qual os franceses comemoram a Queda da Bastilha, um caminhão atropelou dezenas de pessoas e deixou 84 mortos. Já em Las Vegas, 59 pessoas morreram após um atirador fazer disparos contra a plateia em um show que estava sendo realizado na noite do dia 1º outubro. Mais de 500 pessoas também ficaram feridas.

Para o professor De Leon Petta Gomes da Costa, especialista em geopolítica das Faculdades Integradas Rio Branco, outra característica que deve ser destacada é a falta de planejamento que muitos desses ataques têm, o que gera uma dificuldade ainda maior de prevenção.

— Essa falta de planejamento é pior até porque não tem como prevenir. Qualquer pessoa em potencial pode jogar o carro contra as pessoas. Se ela descobrir, na internet, os meios para fazer uma bomba, ela pode fazer. Esses casos são bem mais piores do que um ato de terrorismo tradicional com arma.

De acordo com Costa, o ataque desta terça-feira (31) pode servir como uma estratégia para o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, ampliar medidas contra imigração, sendo que haverá uma pressão uma maior rigidez mesmo que ele não queira fazer isso.

— Talvez haja até uma cobrança para pressionar ele para endurecer ainda mais a questão da imigração que ele não conseguiu passar no começo do ano. Talvez ele use isso politicamente agora para conseguir. Mesmo que ele não aproveite, vai ter uma cobrança da população para ele fazer isso. Se ele não tiver a intenção de fazer, ele vai se sentir pressionado.

Apesar disso, o professor ESPM afirma que o endurecimento das fronteiras não é a estratégia mais eficaz para combater ataques terroristas. Para ele, essas medidas tentam simplificar um dos maiores problemas do século 21.

— É uma medida populista, sensacionalista e superficial que tenta simplificar um problema muito maior. A ameaça terrorista é uma realidade do século 21, ela está presente em todo o mundo e não vai embora ou vai acabar porque é muito difícil de erradicá-la por completo. Parte do combate ao radicalismo desses grupos está em criar mecanismo e investir dinheiro com o mundo digital e não necessariamente impedir a entrada de imigrantes.

*Sob supervisão de Fábio Cervone