Toque de recolher e menos orações: efeitos da covid-19 no Oriente Médio

Apesar da restrição de circulação estar mais rígida em vários países da região, em muitas mesquitas as orações de sexta-feira estão mantidas

Aumentam restrições de circulação de pessoas no Oriente Médio

Aumentam restrições de circulação de pessoas no Oriente Médio

HALED ELFIQI/ EFE/ 20.03.202

Os países do Oriente Médio continuam agindo para impedir a propagação do coronavírus, com medidas que vão desde o toque de recolher imposto à Jordânia nesta sexta-feira (20) até a interrupção de todo o deslocamento na Arábia Saudita e a limitação do acesso a mesquitas e locais de culto.

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Enquanto em lugares como a Arábia Saudita as medidas já abrangem a oração nas mesquitas sagradas de Meca e Medina, e no Iraque, com várias cidades sagradas aos xiitas, há um toque de recolher, no Egito as pessoas ainda hoje frequentavam os locais de culto muçulmanos.

Jordânia

Depois de levar o Exército às ruas nesta semana para garantir que não haja movimento entre cidades, e depois de suspender atividades públicas e privadas não essenciais, o governo jordaniano ordenou nesta sexta-feira (20) o toque de recolher em todo o país.

A decisão foi adotada no âmbito da entrada em vigor da Lei de Defesa Nacional, em vigor desde terça-feira (17), de acordo com o vice-ministro da Comunicação Amjad Adaileh, em mensagem transmitida pelo canal público de televisão.

"Todos os que violarem o toque de recolher serão presos por um ano", disse ele, acrescentando que os países que estão conseguindo proteger os cidadãos são aqueles que estão forçando a população a ficar em casa.

A Jordânia tem 69 casos até agora, incluindo 6 franceses, 3 britânicos e 2 argentinos.

Arábia Saudita

A Arábia Saudita suspendeu as orações em todos os lugares, incluindo as mesquitas sagradas de Meca e Medina, esta última ainda não está sujeita à suspensão total da oração nos templos do país nesta sexta-feira (20), o dia mais importante para os muçulmanos.

Ao mesmo tempo, de acordo com a agência do SPA, o transporte interno de avião, trem e táxi foi suspenso, incluindo transferências do Uber e outras empresas de transporte privado. A suspensão é de 14 dias.

Apenas movimentos por razões humanitárias ou de saúde, fornecimento de água e alimentos e transporte de mercadorias podem circular, embora neste caso, sob medidas especiais adotadas pelo Ministério da Saúde.

Até o momento, a Arábia Saudita confirmou 344 casos, dois deles muito graves.

Egito

O Egito ordenou na quinta-feira (19) o fechamento suspendesse a atividade em shopping centers e restaurantes entre às 19h e às 18h.

Embora Al Azhar, a principal instituição religiosa sunita, afirmasse que as autoridades tinham "permissão" de evitar congregações e orações em massa na sexta-feira para evitar a propagação do vírus, hoje, embora em menor número do que o habitual, as mesquitas continuaram recebendo fiéis em diferentes pontos da capital egípcia.

O número de casos registrados até quinta-feira é de 256, incluindo 28 pessoas que foram curadas e 228 positivas que permanecem em isolamento hospitalar. Até agora, houve 7 fatalidades

Iraque

No Iraque, as autoridades mantêm o toque de recolher e cidades sagradas como Najaf e Kerbala proibiram os serviços religiosos.

Depois que a necessidade de respeitar o toque de recolher foi enfatizada nas últimas horas, o primeiro-ministro Adel Abdelmahdi disse em comunicado hoje que "as forças de segurança devem implementar a proibição".

Apenas o pessoal da saúde, o transporte de alimentos, combustível e casos de emergência, diplomatas e pessoal da mídia são deixados de fora da medida.

Abdelmahdi alertou que haverá multas financeiras por violadores da proibição e apreensão de veículos que violem as regras.

Catar

O governo do Catar relaxou ontem as medidas para estrangeiros deixarem o país, mas proibiu a entrada de estrangeiros nesta quinta-feira (19). De acordo com a última conta oficial divulgada hoje, existem 470 casos.