Trump ameaça 'fechar redes sociais' após Twitter desmentir seus posts

Afirmação veio horas após a plataforma sinalizar posts do presidente sobre fraude nas próximas eleições presidenciais como informação falsa

Trump acusou redes sociais de agirem com preconceito contra conservadores

Trump acusou redes sociais de agirem com preconceito contra conservadores

Doug Mills / Pool via EFE-EPA - 18.5.2020

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que irá "regular fortemente ou até mesmo fechar" as redes sociais por, supostamente, "silenciarem totalmente as vozes conservadoras". A ameaça foi feita em sua conta pessoal no Twitter, horas após a plataforma sinalizar uma série de posts em que Trump afirma que as próximas eleições presidenciais nos EUA serão fraudadas como informação falsa.

Sem apresentar nenhuma prova, Trump reiterou as acusações de que essas plataformas têm viés político, tuitando: "Os republicanos sentem que as plataformas de redes sociais silenciam totalmente as vozes conservadoras. Nós as regulamentaremos fortemente, ou as fecharemos, antes de permitirmos que isto sequer possa acontecer".

E ainda acrescentou: "Tomem jeito, AGORA!!!!"

Na terça-feira (26), o presidente dos EUA publicou Trump no Twitter uma série de posts dizendo que os votos por correspondência — uma prática histórica e comum em vários estados — seriam "substancialmente fraudulentos" e resultariam em uma "eleição manipulada". Ele também apontou especificamente para o governador da Califórnia, Gavin Newsom, embora o estado não seja o único que aceita votos por correspondência.

Trump repetiu conteúdos sinalizados como fake

Aplicando a sua recente política de checagem de dados, o Twitter sinalizou os tuítes de Trump com um alerta azul, colocando uma exclamação debaixo dos tuítes para avisar que as afirmações eram falsas e que foram desmentidas por verificadores de fatos.

No início da manhã da quarta-feira, o presidente republicano voltou a atacar os votos pelo correio. Trump publicou tuítes semelhantes sobre o tópico na terça-feira.

A pressão sobre as redes sociais aumentou após os escândalos da Cambridge Analytica e as investigações sobre a interferência russa nas eleições de 2016, que deram a vitória a Donald Trump. O Twitter, assim como o Facebook, vem mudando suas políticas de verificação de informações, passando de uma abordagem passiva para ações de busca, sinalização e até eliminação de conteúdos e páginas considerados fontes de desinformação ou de informações falsas.

Até o momento, nenhuma das várias investigações em curso sobre o funcionamento das redes sociais apontou qualquer viés desfavorável ao que Trump chama de "vozes conservadoras", em geral, grupos de direita, ultradireita e nacionalistas que estão na sua base de apoio.