Trump condicionou ajuda à Ucrânia a caso Biden, diz embaixador

Embaixador dos EUA na UE admitiu que ele próprio disse ao país europeu que pacote de ajuda militar só seria possível caso eles investigassem democratas

Embaixador confirma pressão de Trump sobre Ucrânia

Embaixador confirma pressão de Trump sobre Ucrânia

Francois Lenoir/ Reuters - 21.10.2019

O embaixador dos Estados Unidos na União Europeia, Gordon Sondland, admitiu nesta terça-feira (5) que ele próprio disse à Ucrânia neste ano que a Casa Branca não iria conceder um pacote de ajuda militar até que o país prometesse investigar políticos do Partido Democrata, incluindo o ex-vice-presidente Joe Biden, por um suposto caso de corrupção na campanha presidencial americana de 2016.

Em um documento divulgado por líderes democratas na Câmara dos Deputados, Sondland validou a tese principal apresentada pelos congressistas que pedem o impeachment do presidente dos EUA, Donald Trump: a de que o governo bloqueou ajuda de segurança à Ucrânia devido a fins partidários.

"Eu disse que a retomada da ajuda dos EUA provavelmente não ocorreria até que a Ucrânia fornecesse a declaração pública contra a corrupção de que estávamos falando há muitas semanas", escreveu Sondland em um anexo a seu testemunho diante dos comitês da Câmara dos Representantes que investigam se Trump cometeu a irregularidade.

O embaixador disse que comunicou essa mensagem a Andrei Yermak, um conselheiro do presidente ucraniano Vladimir Zelenski, durante uma reunião em Varsóvia em 1º de setembro.

Os comitês que investigaram o caso ucraniano divulgaram nesta terça-feira uma transcrição do testemunho original de Sondland, feito a portas fechadas no dia 17 de outubro, assim como um anexo que o embaixador americano na UE enviou ontem aos congressistas.

Nesse anexo, Sondland afirma que a presença de outras testemunhas "refrescou a memória de certas conversas" relativas à Ucrânia das quais participou em setembro.

Embora Sondland diga que "ainda" não sabe "por que foi suspensa" a entrega de US$ 400 milhões à Ucrânia, ele também afirma: "No início de setembro, e na ausência de explicações confiáveis sobre a suspensão da ajuda, assumi que essa suspensão estava ligada à declaração proposta de luta contra a corrupção".

Sondland fazia alusão ao pedido de Trump, feito em uma conversa telefônica com Zelenski em julho, de que a Ucrânia investigasse o ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden e os negócios de seu filho Hunter na empresa de gás ucraniana Burisma.

Após o primeiro depoimento de Sondland diante dos comitês, em outubro, várias testemunhas afirmaram que o embaixador da UE havia admitido a elas que a ajuda à Ucrânia tinha sido condicionada a fins partidários.

Com a própria admissão de Sondland sobre esse ponto, "o truque do presidente (sobre a Ucrânia) ficou ainda mais claro", disseram em comunicado os líderes democratas dos três comitês que investigam Trump.

Os comitês também revelaram uma transcrição do testemunho do ex-enviado especial dos EUA à Ucrânia, Kurt Volker, que, juntamente com Sondland e o secretário de Energia dos EUA, Rick Perry, formaram um grupo conhecido como "Três Amigos" e que era encarregado da política para o país europeu.

Trump teria instruído o trio a coordenar a política ucraniana com seu advogado pessoal e ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, que reiterou que o governo ucraniano deveria investigar os democratas, e os quatro dirigiam um "canal paralelo" que contornava diplomatas como a ex-embaixadora americana Marie Yovanovitch.