Trump corta financiamento dos EUA para a OMS

Presidente dos EUA alega que os fundos serão retidos para investigar a entidade por 'má gestão e por encobrir a severidade' do coronavírus

Trump anunciou o corte nesta terça-feira

Trump anunciou o corte nesta terça-feira

Kevin Dietsch / Pool via EFE - EPA - 10.4.2020

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (14) que irá suspender os pagamentos norte-americanos à Organizaçao Mundial de Saúde (OMS) em meio à crise gerada pela pandemia do novo coronavírus.

Ele alega que os fundos, que representam 20% do orçamento da entidade que gere a resposta mundial à pandemia, serão retidos enquanto seu país investiga o que ele chama de "má gestão e encobrir a propagação" da covid-19.

Trump foi um dos líderes mundiais que, inicialmente, mais resistiu a tomar medidas de distanciamento social durante o início do surto. Hoje, os EUA têm o maior número de casos confirmados (mais de 600 mil) e mortes (mais de 25 mil) por covid-19 do mundo.

Problemas com a China

Segundo o presidente norte-americano, seu país contribui com uma quantia entre US$ 400 (cerca de R$ 2 bilhões) a US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) para a OMS por ano, enquanto "a China dá apenas US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões)".

Ele criticou a entidade, dizendo que "se a OMS tivesse feito seu trabalho mandado experts para a China para fazer uma avaliação objetiva da situação e apontar a falta de transparência da China, o surto poderia ser contido no início".

Contenção de danos

Trump, que disputará a reeleição em novembro, vem tentando se eximir de críticas por conta do seu manejo com a situação da pandemia. Em uma entrevista coletiva na segunda, ele disse que a "culpa" pela situação "é da imprensa", quando questionado por suas políticas.

Em março, a agência Reuters revelou que a administração Trump cortou dezenas de profissionais de um escritório do Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) em Pequim, ao longo dos últimos anos. Onde antes havia 47 funcionários, incluindo epidemiologistas que poderiam ter ajudado a detecar a doença, há apenas 14.