Trump pede que imprensa dos EUA foque nos casos de Brasil e México

Presidente pede cobertura sobre o coronavírus em outros países e não diz se reconheceria uma eventual derrota na eleição presidencial de novembro

Trump não se comprometeu a aceitar o resultado da eleição de novembro

Trump não se comprometeu a aceitar o resultado da eleição de novembro

Yuri Gripas / EFE - EPA - Arquivo

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse em entrevista exibida neste domingo (19) na televisão norte-americana, pediu para que a imprensa do país se concentre mais na situação referente ao novo coronavírus no Brasil e no México. Ele também não garantiu que aceitará uma eventual derrota na eleição presidencial de novembro.

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"Não se trata apenas deste país. Está acontecendo em muitos outros, mas não falam disso no noticiário. Não falam do México e do Brasil, além de partes da Europa em que chegou antes", afirmou o chefe de governo à emissora Fox News.

Líderes mundiais

Os EUA são o país com maior número de casos de infecção no planeta, 3,7 milhões, e com mais mortes, 140 mil, segundo informações contabilizadas pela Universidade Johns Hopkins, localizada em Baltimore, no estado de Maryland.

"Por que não falam do México, que não está nos ajudando? Tudo o que posso dizer é que, graças a Deus, construí esse muro. Se não houve o muro, teríamos um problema muito maior com o México", disse o presidente americano.

Os EUA, no entanto, tem 11 vezes mais casos de infecção pelo novo coronavírus, embora tenha população menos de três vezes maior que a do vizinho.

O México, também segundo a Universidade Johns Hopkins, contabiliza quase 340 mil testes positivos para o novo coronavírus, além de pouco mais de 38 mil óbitos em decorrência da Covid-19.

Essa não é a primeira vez que Trump alega que o muro que está reconstruindo na fronteira sul dos EUA freou a entrada na Covid-19 proveniente do território mexicano, algo que já tinha feito durante uma visita ao Arizona, em junho, também sem apresentar evidências.

Durante a entrevista à "Fox News", Trump atribuiu o aumento no número de casos nos EUA ao número de testes que estão sendo realizados no país, que segundo o mandatário se tornaram motivo de "inveja para o mundo", também sem apresentação de evidências.

"Muitos desses casos são de pessoas jovens, que se curariam em um dia. Elas têm um pouco de resfriado, e os contabilizamos como testes. Nem sequer deveriam ser casos", disse o presidente.

Taxa de mortalidade

Trump ainda afirmou que os Estados Unidos têm uma das taxas de mortalidades mais baixas do mundo, declaração que o entrevistador, Chris Wallace, rebateu, destacando que a Universidade Johns Hopkins coloca os americanos em oitavo lugar no mundo com maior índice.

Segundo os dados da instituição, os EUA têm menos mortes por cada 100 casos confirmados, apenas do que Reino Unido, México, Irã, Egito, Indonésia, Iraque e Brasil.

Questionado sobre declaração dada em fevereiro, de que o novo coronavírus desaparecia como "se fosse um milagre", Trump insistiu na ideia. "Em algum momento, terei razão. Desaparecerá, e eu terei razão", disse.

Por outro lado, no entanto, Trump garantiu que discorda da obrigatoriedade do uso de máscara, embora o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA aponte que é uma das formas mais eficazes de conter a propagação do patógeno.

"As máscaras também causam problemas", sem explicar a ideia, argumentando apenas que deseja dar mais liberdade para as pessoas.

Eleição 2020

Na mesma entrevista, o Trump, se negou a responder se aceitará o resultado das eleições de novembro no país e voltou a insistir que o voto por correspondência pode gerar fraudes no pleito.

"Precisarei ver. Não vou dizer, simplesmente, que sim. Não vou dizer, assim como fiz da última vez", disse o chefe de governo, questionado sobre uma possível derrota.

Trump se referiu as declarações dadas em outubro de 2016, quando recusou se comprometer com a aceitação dos resultados das eleições em que venceu a ex-secretária de Estado e a ex-primeira-dama, Hillary Clinton, do Partido Democrata.

O atual presidente há semanas vem questionando o voto por correspondência, que muitos estados deverão adotar, devido a pandemia da Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus.

"Creio que o voto por correio vai manipular as eleições. Realmente, acredito nisso", disse Trump.

O chefe de governo reconheceu não ser "um bom perdedor", que não gosta de ser vencido e duvidou da credibilidade das pesquisas que indicam vantagem considerável do provável adversário em novembro, o democrata Joe Biden.

"Não acho que foi perder. Você sabe quantas vezes me deram por derrotado? Não estou perdendo, porque essas pesquisas são falsas. Foram falsas em 2016, e agora são mais falsas", disparou o presidente, sem apresentar evidências sobre que irregularidade há nas consultas populares. Em 2016, Trump perdeu a votação popular, mas venceu no chamado colégio eleitoral.

A própria "Fox News" apontou que Biden está oito pontos na frente de Trump, enquanto outra pesquisa de intenção de voto, feita pelo jornal "Washington Post" e pela emissora "ABC" coloca o democrata com 15 de vantagem.