Trump pediu que presidente turco não fosse 'tolo' e 'durão' em carta

O governo da Rússia já questionou o tom 'pouco usual' utilizado no texto do americano. Autoridades dos EUA estão na Turquia para negociar cessar-fogo

Donald Trump enviou carta ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan

Donald Trump enviou carta ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan

REUTERS/Jim Bourg/17.10.2019

Em carta enviada no dia do início da ofensiva da Turquia contra áreas controladas pelos curdos na Síria, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que não fosse um tolo, aceitasse a mediação americana no conflito, caso contrário destruiria a economia do país.

"A história lembrará de você favoravelmente se você fizer isso da maneira certa e humana. Olhará para você como um demônio se coisas boas não acontecerem. Não seja durão. Não seja tolo", escreveu Trump na carta, obtida por uma jornalista da emissora Fox News.

Nesta quinta-feira (17), segundo a rede de notícias árabe Al Jazeera, o governo da Rússia questionou o tom "pouco usual" utilizado por Trump na missiva. "Não é o tipo de linguagem que você geralmente encontra em correspondências entre líderes de Estado", apontou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. 

'Bom acordo' sobre a Síria

No texto, o presidente americano propõe a Erdogan que os dois trabalhem juntos para conseguir "um bom acordo" sobre a Síria. "Você não quer ser esponsável pelo massacre de milhares de pessoas, e não quer ser responsável pela destruição da economia turca - eu o farei", ameaçou.

Como represália à sequência da ofensiva contra os curdos, o governo dos EUA cumpriu a ameaça há dois dias e sancionou três ministros de Erdogan, além de anunciar uma alta de até 50% sobre as tarifas de importação do aço produzido pela Turquia. A Casa Branca também fechou as portas para a negociação de um possível acordo comercial entre os dois países.

Trump já havia determinado a aplicação de sanções à Turquia pela prisão do pastor americano Andrew Brunson, retiradas depois da libertação do religioso.

Na carta, Trump afirmou que o comandante das Forças da Síria Democrática (SDF), Mazlum Abdi, grupo de milícias curdas aliado do governo dos EUA antes da retirada das tropas americanas da região, estava disposto a negociar com Erdogan.

"(Abdi) está disposto a fazer concessões que (os curdos) nunca fizeram no passado", escreveu Trump, indicando que anexava ao documento, de forma confidencial, uma cópia de uma carta enviada pelo comandante curdo ao governo dos EUA.

O presidente americano conclui a carta dizendo a Erdogan que ligaria para ele mais tarde.

Ofensiva da Turquia

A Turquia lançou na última quarta-feira (9) uma ofensiva contra as milícias curdas que controlam partes do nordeste da Síria, dias depois dos EUA anunciarem a retirada dos soldados americanos da região. O anúncio de Trump ocorreu depois de uma ligação para Erdogan.

Nesta quinta-feira, Erdogan recebe o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, que já chegaram em Ancara e tentarão pressionar o governo da Turquia a implementar um cessar-fogo na região.