Internacional Trump quer rever pacto de armas para vender mais drones

Trump quer rever pacto de armas para vender mais drones

O governo dos Estados Unidos planeja reinterpretar um tratado de armas dos tempos da Guerra Fria firmado entre 34 países

Reuters
Trump quer reinterpretar tratado existente há 33 anos

Trump quer reinterpretar tratado existente há 33 anos

Chris Kleponis / Pool via EPA - EFE - 31.3.2020

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja reinterpretar um tratado de armas dos tempos da Guerra Fria firmado entre 34 países com o objetivo de permitir que prestadores de serviço de defesa dos Estados Unidos vendam mais drones de fabricação norte-americana a uma vasta gama de nações. A informação partiu de três executivos da indústria de defesa e uma autoridade dos EUA à Reuters.

A mudança de diretriz, que não foi noticiada anteriormente, poderia possibilitar vendas de drones armados a governos menos estáveis, como a Jordânia e os Emirados Árabes Unidos, que antes estavam proibidos de comprá-las por causa do MTCR (Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis) de 33 anos de existência, disseram a autoridade dos EUA, um ex-funcionário e um dos executivos.

Ela também poderia desestimular países como a Rússia, que cumprem o MTCR há tempos, a mantê-lo, disse a autoridade do governo, que tem conhecimento direto da mudança.

Nova interpretação

Reinterpretar o MTCR é parte de um esforço mais amplo do governo Trump para vender mais armas no exterior. A administração já reformou uma grande variedade de regulamentos de exportação de armas e retirou os EUA de tratados de armas internacionais, como o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário e o Tratado Céus Abertos.

Driblar o acordo permitiria que empresas do setor de defesa General Atomics Aeronautical Systems Inc e Northrop Grumman Corp desbravassem novos mercados atualmente dominados por produtos menos sofisticados de China e Israel, que não participam do MTCR.

Heidi Grant, diretora da Agência de Segurança de Tecnologia de Defesa do Pentágono, não quis comentar a mudança de diretriz iminente do MTCR, mas disse que os militares dos EUA estão ansiosos para ver a venda de drones se expandir para mais países. Tais vendas fortaleceriam os militares de aliados e substituiria a venda de drones para outras nações, explicou.

O Departamento de Estado, que tem a palavra final sobre tais negócios, e a Casa Branca tampouco quiseram comentar a mudança de diretriz.

Segundo a interpretação atual do Departamento de Estado sobre o MTCR, todas as vendas de drones de grande porte estão sujeitas ao que se conhece como "forte presunção de negação", o que tornou as aprovações raras – mas o nível alto de exigência para um acordo prosseguir será descartado, o que indica a clientes antes proibidos que seus pedidos têm uma chance muito maior de aprovação, de acordo com a autoridade dos EUA, o ex-funcionário e um dos executivos de defesa.

O MTCR, assinado originalmente em 1987 por EUA, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido, se concentrou em deter a proliferação de armas nucleares, e se acredita que ele desacelerou ou deteve programas de mísseis em países como Egito, Argentina e Iraque.

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