Novo Coronavírus

Internacional Tunísia vai punir quem não colaborar com medidas sanitárias

Tunísia vai punir quem não colaborar com medidas sanitárias

Cerca de 700 estão presas por desrespeitarem a quarentena e o toque de recolher; ministro da Saúde faz alertas e considera situação 'crítica'

  • Internacional | Da EFE

Instituição distribui suprimentos para centenas de famílias na Tunísia

Instituição distribui suprimentos para centenas de famílias na Tunísia

Mohamed Messara / EFE - EPA - 31.3.2020

O ministro da Saúde da Tunísia, Abdellatif Mekki, advertiu nesta terça-feira (7) que a lei será aplicada com mais força no país, diante da falta de cooperação dos cidadãos, responsável por uma "aceleração perigosa" nos contágios pelo novo coronavírus.

Devido à baixa "eficácia" do autoisolamento, o governo vai internar todas as pessoas infectadas em hospitais e centros de isolamento. Quem sair sem permissão será processado por colocar a vida de terceiros em risco. Caso seja possível demonstrar que a pessoa causou um contágio mortal, ela irá responder por "homicídio culposo", afirmou o ministro.

"Se a situação continuar como está agora, vamos perder tudo que conseguimos avançar", declarou Mekki, visivelmente abalado durante uma coletiva de imprensa. Ele relatou que a Tunísia já teve 25 mortes e 595 casos positivos, mas considera que a propagação da covid-19 ainda não chegou ao pico.

Situação crítica

Segundo o ministro, a situação é "crítica". Cerca de 80% dos pacientes que foram para as UTIs morreram, incluindo menores de 30 anos. Ele também criticou duramente as pessoas contaminadas que se recusam a se internar nos hospitais ou que fogem clandestinamente de regiões em quarentena total, como a ilha de Djerba, no sul do país.

Mekki incentivou os tunisianos a denunciar aqueles que não respeitam as regras e disse que as próximas duas semanas serão decisivas para "controlar de novo" a epidemia. 

"Se relaxarmos vamos parar direto em um cenário de pesadelo e as imagens que veremos vão nos perseguir até o fim dos nossos dias. Vamos ter de praticar a medicina de guerra para salvar o país, e fazer isso apenas com os recursos que temos não é fácil", lamentou.

Por sua vez, o ministro do Interior, Hichem Mechichi, anunciou que as forças de segurança vão "endurecer" a repressão contra os infratores. Até agora, mais de 700 pessoas foram presas e outras 70 estão em prisão domiciliar.

Medidas de proteção

O Parlamento da Tunísia aprovou no último sábado a ativação de um artigo da Constituição que permite que o poder Executivo governe por decretos de lei por um período de até dois meses, sem a necessidade de aprovação parlamentar, para poder enfrentar a pandemia.

Na tentariva de resguardar a frágil economia do país, o governo implementou um pacote de medidas econômicas e sociais no valoe de 800 milhões de euros (cerca de R$ 4,55 bilhões), que incluem auxilio para trabalhadores de baixa renda ou de atividades paralisadas pela quarentena, ajuda a grupos vulneráveis e a formação de um fundo para reforçar os estoques de remédios, alimentos e combustíveis.

Desde 22 de março, a Tunísia decretou a paralisação das atividades econômicas e a quarentena, além de um toque de recolher das 18h às 6h e a proibição de reuniões de mais de três pessoas em vias públicas.

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