UE pede à Venezuela para revogar decisão de expulsar embaixadora

A reação oficial da União Europeia vem um dia depois que o governo de Nicolás Maduro deu 72 horas para embaixadora deixar Caracas

Josep Borrell lamentou a decisão e alertou para um maior isolamento do país

Josep Borrell lamentou a decisão e alertou para um maior isolamento do país

Reprodução/ Twitter

A União Europeia pediu nesta terça-feira (30) para as autoridades venezuelanas revogarem a decisão de expulsar a embaixadora do grupo dentro de 72 horas, o que, na visão dos países do bloco, levaria apenas a um maior isolamento internacional de Caracas.

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"A UE condena veementemente esta decisão e lamenta profundamente o aumento do isolamento internacional que isso resultará. Pedimos que esta decisão seja revertida", declarou o Alto Representante da União Europeia para a Política Externa, Josep Borrell, em comunicado.

A reação oficial da União Europeia vem um dia depois que o governo de Nicolás Maduro decretou a expulsão em 72 horas da embaixadora do bloco em Caracas, Isabel Brilhante, em resposta às sanções impostas nesta segunda pela própria UE contra 11 funcionários do governo venezuelano por seu papel no que considera atos e decisões contra a democracia e o Estado de direito no país.

"A profunda crise política e socioeconômica que a Venezuela vive atualmente só pode ser enfrentada através de uma solução pacífica e negociada entre os venezuelanos", completou Borrell.

Na visão ao Alto Representante, a solução deve ser baseada em eleições credíveis, no reconhecimento e no respeito ao papel e à independência de todas as instituições democraticamente eleitas, em particular a Assembleia Nacional, na libertação de todos os presos políticos e na defesa dos direitos humanos e das liberdades fundamentais.

"A UE reafirma seus compromissos de apoiar o povo venezuelano, de ajudar a resolver a crise política e de aliviar o sofrimento da população através de sua assistência humanitária", destacou.

Horas antes, Borrell já havia condenado a expulsão da diplomata e dito que as medidas necessárias usuais de reciprocidade seriam tomadas. O chefe da diplomacia da UE confirmou que o grupo e seus Estados-membros estão analisando quais são as medidas mais apropriadas a serem tomadas.

"Acreditamos que a decisão de dar ao embaixador da UE em Caracas 72 horas para deixar o país exigirá as medidas necessárias de reciprocidade, mas não posso definir quais serão", disse Borrell, que considerou que isolar o regime de Maduro mais internacionalmente não é uma boa maneira de tentar resolver o problema político na Venezuela.