Crise na Venezuela

Internacional Venezuela confirma 8 militares mortos em combates na fronteira

Venezuela confirma 8 militares mortos em combates na fronteira

Ministro da Defesa confirma que os soldados tiveram confronto com membros de grupo de ex-FARC na divisa com a Colômbia

Padrino confirmou operações do exército venezuelano contra ex-guerrilheiro

Padrino confirmou operações do exército venezuelano contra ex-guerrilheiro

Presidência da Venezuela / Divulgação via EFE - 5.4.2021

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, confirmou nesta segunda-feira (5) que oito militares do país morreram — o dobro do que se sabia até então — durante os combates com dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em uma região de fronteira.

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Ainda de acordo com Padrino, que concedeu um pronunciamento à imprensa, sem que pudessem ser feitas perguntas, houve nove mortos entre o grupo formado por integrantes da extinta guerrilha colombiana.

Os combates começaram em 21 de março no estado de Apure, na fronteira entre os dois países, e desde então é cercado de dúvidas sobre sua origem e o número de baixas.

As autoridades militares venezuelanas haviam confirmado até domingo quatro mortes em suas fileiras e a "neutralização" de nove "terroristas" — sem esclarecer se eles haviam morrido ou sido presos.

As informações divulgadas até agora por fontes militares ou oficiais — incluindo o pronunciamento de Padrino — têm sido muito escassas e nem mesmo esclareceram qual grupo armado as Forças Armadas venezuelanas estão enfrentando, embora tenham divulgado fotos de uniformes apreendidos nos quais podem ser vistos logotipos e iniciais das Farc.

Várias organizações que monitoram os combates confirmaram que os militares venezuelanos enfrentam dissidentes da extinta guerrilha.

Segundo Padrino, além dos oito soldados mortos, outros 34 soldados ficaram feridos "e receberam assistência médica na rede de saúde militar", dos quais 21 receberam alta.

Durante a operação, eles desativaram 16 minas terrestres instaladas pelo grupo armado e desmantelaram seis acampamentos.

Ampliação da defesa

Padrino disse ainda que, por ordem do presidente Nicolás Maduro, uma "zona operacional especial temporária de defesa integral" foi ativada na região, que será comandada pelo major general Alejando Javier Benitez Marcano com "uma equipe de coordenação".

Também foi ativada uma brigada integral, chamada "Negro Primeiro", sob o comando do general Wilfredo Alexander Medrano, "a quem serão designadas as unidades e equipamentos militares necessários".

O ministro da Defesa explicou que Maduro "ordenou medidas extraordinárias", incluindo a criação de "uma zona de segurança nos municípios de Páez, Muñoz e Romulo Gallegos", todos em Apure, onde a maior parte dos combates tem acontecido.

Como parte destas medidas, o Comando Operacional Estratégico das Forças Armadas venezuelanas projetará e executará "planos especiais de segurança pública para enfrentar ações desestabilizadoras" que ameaçam a paz, a segurança pessoal e "a proteção de instalações e propriedades públicas e privadas" para "garantir a ordem interna, a paz cidadã e os direitos humanos".

Ele também comentou que este comando, através da zona operacional de defesa integral de Apure e juntamente com as autoridades civis, regionais e municipais, "com o objetivo de salvaguardar os direitos humanos", estabelecerá restrições e horários para o tráfego de pessoas.

Da mesma forma, serão impostas "restrições aos horários de funcionamento de locais públicos e privados" e implementadas medidas de controle de segurança "para garantir os serviços públicos e a paz cidadã".

Inspeções militares

Padrino também disse que os militares destacados na região "poderão realizar inspeções de bens móveis e imóveis de acordo com as leis e regulamentos em vigor", assim como "despejar ocupações ilegais de bens públicos que afetem a segurança e a defesa da nação".

Ele também advertiu que as unidades militares "intervirão para restabelecer o livre trânsito em áreas urbanas ou rurais em caso de interrupção", além de lançar "outras ações para garantir o livre desenvolvimento e a paz na região".

Segundo o ministro, após três semanas de confrontos e 17 mortes, "a região está voltando ao normal".

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