Venezuela: líderes reagem a eleições e Maduro convoca 'diálogo nacional'

Piñera, do Chile, afirmou que eleições 'não são legítimas e não representam a vontade do povo venezuelano'; China pediu respeito aos resultados

Maduro fez pronunciamento após reeleição

Maduro fez pronunciamento após reeleição

REUTERS/Carlos Garcia Rawlins/20.05.2018

Após os Estados Unidos afirmarem que não vão reconhecer o resultado das eleições presidenciais da Venezuela ocorridas no domingo (20), foi a vez do presidente chileno, Sebastian Piñera, se pronunciar sobre o pleito.

"As eleições na Venezuela não cumprem com os padrões mínimos de uma verdadeira democracia. Não são eleições limpas e legítimas e não representam a vontade livre e soberana do povo venezuelano. Chile, como a maioria dos países democráticos, não reconhece estas eleições", afirmou Piñera no Twitter.

O atual presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi reeleito com 67,7% dos votos, segundo o Conselho Nacional Eleitoral. O resultado foi questionado pela oposição,  que pediu a repetição do pleito devido a denúncias de irregularidades.

A China, por sua vez, disse por meio de Lu Kang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, que todos deveriam "respeitar a escolha do povo venezuelano". Kang completou que os chineses acreditam que o governo da Venezuela e seu povo podem lidar com suas próprias questões. As informações são da agência de notícias Reuters.

Reação do concorrente

Dentro da própria Venezuela, o ex-governador Henri Falcón — considerado o principal concorrente de Nicolás Maduro na votação — exigiu que as autoridades do Conselho Nacional Eleitoral declarem as eleições ocorridas no domingo como nulas. Para Falcón, um novo processo eleitoral deve ser convocado. "Para nós não houve eleições, deve haver novas eleições na Venezuela, isso não é uma abordagem, nós viemos fazer uma reivindicação", declarou o candidato.

Maduro convoca diálogo

Em seu primeiro discurso após ser reeleito, Maduro convocou os candidatos derrotados a um diálogo para superar as diferenças e fazer frente à crise que assola o país.

"Para Henri Falcón, para Javier Bertucci e para todos os líderes da oposição, [sugiro] que reunamos, nos encontramos e conversemos sobre a Venezuela, eu convido vocês daqui e assumo a responsabilidade deste chamado", disse Maduro a simpatizantes em em pronunciamento no Palácio de Miraflores — sede da Presidência da Venezuela, localizado em Caracas.

Maduro informou ainda que pedirá à autoridade eleitoral que investigue todas as denúncias de irregularidades: "Vamos revisar tudo. Não podemos aceitar que se manche a vida institucional do país".