'Vida de George Floyd importava': a mensagem de Meghan Markle sobre a morte que foi estopim de protestos

Após críticas sobre silêncio, Meghan Markle citou negros e negras mortos pela polícia dos EUA e convidou estudantes da escola em que estudou a se unirem para reconstruir a sociedade

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Meghan Markle afirmou em vídeo que morte de George Floyd é um episódio 'devastador'

Meghan Markle afirmou em vídeo que morte de George Floyd é um episódio 'devastador'

Reprodução

A Duquesa de Sussex divulgou uma emotiva mensagem pessoal sobre o impacto da morte de George Floyd nos Estados Unidos, dizendo que a vida dele "importava".

Em vídeo gravado para estudantes formados em sua antiga escola em Los Angeles, Meghan Markle disse que o episódio foi "devastador".

Markle e o príncipe Harry vinham sendo cobrados pelas redes sociais para comentar o caso.

No depoimento, ela também se lembrou de ter vivido protestos contra o racismo em LA em 1992 e falou de sua frustração por nada parecer ter mudado desde então.

Em sua mensagem, Meghan convidou jovens e estudantes da escola a se unirem para reconstruir a sociedade.

Uma onda de protestos antirracismo se espalhou pelo país após morte de Floyd sob custódia policial em Minneapolis, em 25 de maio. Quatro oficiais foram acusados pela morte.

Desde então, a indignação se espalhou para outras partes do mundo, incluindo o Brasil e o Reino Unido, onde milhares de pessoas participaram de um protesto em Londres na quarta-feira, organizado pelo grupo de ativistas Black Lives Matter.

'A vida de George Floyd importava'

George Floyd tinha 46 anos e era pai de uma menina de seis

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TWITTER/RUTH RICHARDSON

No vídeo de seu discurso virtual para alunos da escola Imaculate Heart High School, a duquesa falou sobre se sentir "nervosa" ao comentar os acontecimentos das semanas anteriores.

Mas ela afirmou que "percebeu que a única coisa errada a dizer é não dizer nada, porque a vida de George Floyd importava".

Na sequência, Markle se referiu a outros negros que morreram violentamente nos EUA nos últimos anos.

No vídeo, divulgado inicialmente pela revista feminina afro-americana Essence, Meghan também pediu desculpas sinceras aos alunos que se formaram "por não trazido o mundo para o lugar em que vocês merecem estar".

"Eu não tinha certeza do que poderia dizer para vocês. Eu queria dizer a coisa certa e estava realmente nervosa sobre não fazê-lo, ou com o risco de isso ser colocado fora de contexto, e percebi que a única a coisa errada a dizer é não dizer nada. Porque a vida de George Floyd importava. E a vida de Breonna Taylor importava. E a vida de Philando Castile importava. E a vida de Tamir Rice importava."

"E tantas outras pessoas cujos nomes conhecemos e cujos nomes não sabemos", continuou a duquesa.

Racismo

Morte de Floyd causou onda de protestos nos Estados Unidos e em outros diversos países

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Getty Images

Ela então compartilhou suas memórias de viver na cidade na época dos protestos raciais de 1992, depois que policiais foram filmados espancando Rodney King, um trabalhador negro da construção civil.

A duquesa disse: "Eu tinha 11 ou 12 anos e era época dos protestos de Los Angeles, que também foram desencadeados por um ato de racismo".

"Lembro-me do toque de recolher e lembro-me de voltar correndo para casa e de, naquele caminho para casa, ver cinzas caírem do céu, sentir o cheiro da fumaça e ver a fumaça subindo pelos edifícios."

Ela continuou: "Lembro de ver homens atrás de uma van segurando armas. Lembro de chegar em casa e ver a árvore que sempre esteve lá completamente carbonizada. Essas memórias não desaparecem".