Meio Ambiente

Internacional Visando a acordo, organização estende COP26 até este sábado (13)

Visando a acordo, organização estende COP26 até este sábado (13)

Conferência divulgará durante a manhã esboço com conclusões da cúpula, momento que tradicionalmente inicia o fim do evento

AFP
Presidência da COP26 pretende encerrar o evento neste sábado (13)

Presidência da COP26 pretende encerrar o evento neste sábado (13)

EFE/EPA/Robert Perry - 4.11.2021

A COP26 — conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas — estenderá as negociações até este sábado (13), anunciou a presidência britânica do encontro, após um dia de intensos debates sobre pontos críticos, como o financiamento dos programas propostos.

A conferência deve divulgar o terceiro esboço de suas conclusões na manhã deste sábado, segundo a presidência britânica. Normalmente, concluído esse documento, tem início uma sessão plenária em que os participantes apresentam suas queixas ou elogios, antes do encerramento da conferência.

As decisões das conferências da ONU sobre as mudanças climáticas não são obrigatórias, mas a urgência climática tem mobilizado os governos progressivamente, diante de relatórios alarmistas divulgados por cientistas da organização, os quais afirmam que o mundo caminha para "um aumento de temperatura catastrófico".

"Loucura"

O dia de hoje foi novamente prolixo em declarações solenes de autoridades políticas e reações desencontradas em torno do nível de ambição do documento final.

Subsidiar energias fósseis é "uma loucura", declarou o americano John Kerry na longa sessão plenária que analisava o segundo esboço da presidência. "Temos que ver dinheiro na mesa para ajudar o mundo em desenvolvimento a realizar as mudanças necessárias", e "isso tem que acontecer nas próximas horas", urgiu o anfitrião da conferência, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, durante visita ao sudeste de Londres.

Uma das grandes questões pendentes são os 100 bilhões de dólares por ano prometidos desde 2009 às nações em desenvolvimento. Não só em 2021 isso ainda não foi realizado, como também agora um grande número de países está pedindo muito mais, somas que chegam a 1,3 trilhão de dólares por ano.

Entre os observadores, Vanessa Pérez-Cirera, chefe da ONG ambientalista WWF, sugeriu, por exemplo, que para arrecadar essa quantia "sejam suprimidos os trilhões que se gastam anualmente no subsídio aos combustíveis fósseis".

Ante a reunião plenária, Kerry, enviado especial dos Estados Unidos para o clima, denunciou justamente os "trilhões de dólares em subsídios aos combustíveis fósseis" gastos por seu país "nos últimos cinco ou seis anos".

"Essa é a definição de loucura", disse o diplomata, cujo país voltou às negociações neste ano, sob o governo do presidente Joe Biden, após saída durante a gestão de Donald Trump. "Esses subsídios têm que desaparecer", insistiu.

Além de subsidiar as petrolíferas, o governo federal americano cobra um imposto sobre os consumidores, com o qual, em 2016, arrecadou mais de 36 bilhões de dólares (cerca de R$ 196 bilhões), segundo dados do Departamento de Transportes.

Subsídios ineficazes

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Para buscar um terreno comum, o segundo rascunho de resolução, ainda provisório e divulgado durante a manhã, pede aos países "a supressão progressiva da energia produzida com carvão sem mitigação e dos subsídios ineficazes aos combustíveis fósseis".

As centrais de energia elétrica à base de carvão "sem mitigação" são aquelas que não utilizam tecnologia de captura de carbono para compensar parte dos gases que emitem na atmosfera.

Trata-se de uma menção sem precedentes em mais de duas décadas de negociações a tais combustíveis, incluindo gás e petróleo, amplamente responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa, que provocam o aquecimento do planeta. Mas esse rascunho era um retrocesso em relação à primeira versão, algo habitual na complexa arena das negociações sobre o clima.

Lamentando que "o rascunho revisado tenha recuado em áreas cruciais", Pérez-Cirera celebrou o fato de que "o aumento a curto prazo dos compromissos climáticos para 2022 permaneça no texto, embora ainda seja insuficiente para a meta de 1,5°C".

De acordo com um mecanismo estabelecido em 2015, os países devem revisar suas metas a cada cinco anos, com a próxima vez programada para 2025. Desde o início da reunião em Glasgow, no entanto, as nações mais vulneráveis insistem em revisões anuais.

Desde a Revolução Industrial, as emissões de gases do efeito estufa já provocaram um aumento de temperatura de 1,1°C, e suas caóticas consequências, incluindo secas e inundações, devem aumentar e provocar o surgimento de milhões de refugiados climáticos, advertem os especialistas.

Os primeiros dez dias da COP26 foram marcados por anúncios pomposos: novos objetivos da Índia — o quarto maior poluente mundial —, promessas de acabar com o desmatamento até 2030 e a emissão de 30% menos de metano, gás que apresenta efeito estufa 80 vezes maior que o CO₂.

Até China e Estados Unidos, os dois maiores emissores do planeta, anunciaram de maneira inesperada um acordo para reforçar em conjunto a luta contra a mudança climática, apesar das profundas divergências em outros campos. 

A ONU advertiu, no entanto, que, apesar das promessas, o planeta segue rumo a um "catastrófico" aquecimento de 2,7°C e que os países devem fazer mais.

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