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Internacional Vitória do Talibã no Afeganistão é, sim, motivo de vergonha e maior derrota dos EUA desde o Vietnã

Vitória do Talibã no Afeganistão é, sim, motivo de vergonha e maior derrota dos EUA desde o Vietnã

Não havia motivação humanitária nem a "guerra contra o terror", em defesa da democracia, alegadas quando da ocupação do país 

  • Internacional | Marco Antonio Araujo, do R7

Combatentes do Talibã retomaram o país sem nenhuma resistência do governo deposto

Combatentes do Talibã retomaram o país sem nenhuma resistência do governo deposto

AFP - 15/08/2021

Imagine morar num país que, durante vinte anos, viveu sob bombardeio incessante e ataques por terra com as armas mais modernas, eficientes e tecnológicas da maior potência bélica e imperialista do planeta. Pois esse é o Afeganistão, que nos últimos dias viu ressurgir, em terra arrasada, um governo comandando pelo Talibã – o mesmo que, duas décadas atrás, motivou os EUA a mais uma intervenção sangrenta, cruel e derrotada por inimigos tão miseráveis quanto os vietnamitas que, em 1975, expulsaram de forma ainda mais vergonhosa as maiores Forças Armadas do mundo.

O governo patrocinado pelos americanos no centro da Ásia caiu sem a mínima reação. Bastou o rápido avanço das tropas fundamentalistas. Os afegãos foram abandonados não só pelos americanos (que retiraram suas tropas sem atender às súplicas do governo deposto) mas por sua elite entreguista, corrupta e covarde. Não esboçaram a menor resistência ao retorno de uma facção do islamismo conhecida pelo ideário extremista que deturpa a sharia (lei islâmica) e a torna um manual de tortura, mutilação, assassinato e capitulação de qualquer um que se arrisque mesmo que à menor crítica.  

Depois de se livrar da influência da extinta União Soviética, o Afeganistão dos anos 1990 tornou-se um campo de treinamento para terroristas. Foi de lá, com o silêncio cúmplice do vizinho Paquistão, que Osama Bin Laden e a Al-Qaeda planejaram os atentados de 11 de setembro de 2001.

Vingar esse ataque foi a única motivação que levou os EUA a invadirem o país asiático. Vemos hoje, não havia urgência humanitária nem a "guerra contra o terror" e em defesa da democracia proclamadas pelo então presidente George Bush.

Fiasco de Biden

O Conselho de Segurança da Nações Unidas autorizou a criação de Força Internacional para ajudar a manter a “segurança” no país ocupado e ajudar a nova administração. À época, não faltaram avisos (ignorados pela ONU, vejam só) de que se tratava de uma aventura irresponsável e fadada ao fracasso.

Prova de que o alerta estava correto são os 50% de afegãos adultos analfabetos e a miséria absoluta – que só poupa a casta de traidores (funcionários públicos., políticos e intelectuais adesistas) que devastaram a economia do país.

Não por acaso, vemos a fuga desesperada dos até recentemente patriotas e colaboradores de um governo corrupto que virou pó. As cenas remetem (e a internet se ocupou de viralizar as imagens da semelhança) à vergonha internacional que o Vietnã impõs ao Império Americano.

Pode-se falar de erros cometidos por Donald Trump. Mas um acerto é indiscutível: por ele, os EUA deveriam parar de bancar guerras de ocupação e usar melhor os trilhões de dólares torrados com a indústria armamentista. Que esse dinheiro sirva para gerar empregos aos cidadãos americanos e financiar investimentos capitalistas no Exterior. A guerra comercial que estão enfrentando já é suficiente para ocupar o tempo do democrata Joe Biden.

Ficou evidente o amadorismo do atual presidente dos EUA e a inacreditável incompetência com que permitiu o avanço relâmpago dos talibãs. Biden é responsável por Cabul cair como uma folha de papel, nas barbas do “poderoso” exército americano. A inteligência a serviço do mandatário não soube nem sequer calcular o tempo necessário para retirar seus cidadãos e apoiadores. Todos que ficarem para trás correm risco de vida.

Um fiasco da administração democrata, notória por descuidar de sua segurança externa. Nem mesmo uma potência como os Estados Unidos é capaz de manipular a opinião pública global diante desse novo fracasso histórico. Vergonha, é essa a lição que fica.

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