Internacional Washington aciona Guarda Nacional para coibir ato pró-Trump

Washington aciona Guarda Nacional para coibir ato pró-Trump

Pelo menos 340 soldados estarão presentes em evento descrito como "selvagem" pelo presidente que ocorre nesta quarta-feira (6)

  • Internacional | Da EFE

Resumindo a Notícia

  • Prefeita de Washington considera decretar um toque de recolher obrigatório
  • Autoridades esperam uma multidão maior do que a que compareceu às anteriores manifestações pró-Trump
  • Grupo TheDonaldWin usou seu site para incentivar os participantes a levarem suas armas
  • Lei distrital proíbe o porte de arma de fogo em um raio de 300m de qualquer atividade política
Trump já afirmou que é "estatisticamente impossível" que tenha perdido as eleições

Trump já afirmou que é "estatisticamente impossível" que tenha perdido as eleições

REUTERS/Carlos Barria

As autoridades de Washington acionaram pelo menos 340 soldados da Guarda Nacional dos Estados Unidos para proteger a capital do país nesta quarta-feira (6) durante uma manifestação a favor do presidente Donald Trump e que foi descrita como "selvagem" pelo próprio mandatário, que entregará o controle da Casa Branca ao democrata Joe Biden no dia 20 de janeiro.

Segundo estimativa dos grupos organizadores, cerca de 15 mil pessoas devem se reunir no centro da cidade no momento em que o Congresso for confirmar os votos do Colégio Eleitoral, que deu a Biden a vitória nas eleições de novembro.

A prefeita de Washington, Muriel Bowser, disse em uma entrevista coletiva que considera decretar um toque de recolher obrigatório, e o chefe da Polícia Metropolitana, Robert Contee, revelou ter recebido informações sobre indivíduos que tentarão entrar no distrito de Columbia com armas.

Contee acrescentou que as autoridades esperam uma multidão maior do que a que compareceu às anteriores manifestações pró-Trump na cidade, que terminaram em distúrbios violentos.

Trump tentou reverter o resultado

O atual presidente, que lutou e perdeu na Justiça após não conseguir provar suas alegações de fraude nas eleições do dia 3 de novembro, pressionou a autoridade eleitoral da Geórgia a "encontrar" os votos necessários para negar a vitória de Biden no estado.

Em sua conta no Twitter, Trump insistiu que é "estatisticamente impossível" que tenha perdido as eleições presidenciais, e convocou seus apoiadores para o protesto em Washington.

"Grande protesto em DC no dia 6 de janeiro. Esteja lá, vai ser selvagem", publicou o republicano na rede social no último fim de semana.

Diferentes grupos leais ao presidente em fim de mandato se apresentam como os organizadores da manifestação na capital do país, e uma delas, a "March for Trump", disse que "cabe ao povo americano" impedir a fraude eleitoral.

"Juntamente com o presidente Trump, faremos o que for necessário para assegurar a integridade desta eleição para o bem da nação", afirma o grupo em seu site.

No entanto, o Departamento de Justiça e autoridades eleitorais dos estados - incluindo aqueles governados por republicanos - constataram que não há provas de fraude eleitoral generalizada e reconheceram os resultados que deram a Biden mais de 80 milhões de votos, contra os 74 milhões obtidos por Trump.

Grupos pró-Trump

O grupo Million MAGA March, que afirma ser o organizador do protesto, convidou os partidários do presidente a participarem do "maior ato político de Trump na história americana" através de uma mensagem publicada no Twitter acompanhada de símbolos como a bandeira do país, pontos de exclamação e uma explosão.

Milícias como Three Percent, Proud Boys e Oath Keepers também se comprometeram a participar e já estão organizando caravanas saindo de várias cidades do país, que serão proibidas de transportar armas de fogo, como já fizeram em outras manifestações.

O grupo TheDonaldWin, por outro lado, usou seu site para incentivar os participantes a levarem suas armas e, ignorando os cartazes que as autoridades colocaram nas áreas onde o protesto deve ocorrer e que lembram às pessoas que o porte é proibido na capital dos EUA.

A prefeita de Washington, por sua vez, lembrou que a lei federal determina que o porte de armas é ilegal nos prédios do Capitólio e em áreas administradas pelo Serviço Nacional de Parques como Freedom Plaza, The Ellipse e National Mall.

"Lembramos a qualquer membro do público ou pessoa que vá participar das manifestações que a lei distrital proíbe o porte de arma de fogo em um raio de 300m de qualquer atividade política", frisou Bowser.

Milhares de simpatizantes de Trump se manifestaram em Washington DC em meados de dezembro, muitos deles usando roupas de guerra, e pelo menos quatro pessoas foram esfaqueadas à noite perto de um bar que se tornou um ponto de encontro para os membros do Proud Boys.

Sobre o ocorrido, a porta-voz do refusefascism.org, Susnara Taylor, classificou em entrevista a uma emissora de televisão local o ato de apoio a Trump como "muito assustador".

"Estamos muito preocupados com os manifestantes violentos que chegam à cidade. Da última vez que estiveram aqui, atacaram pessoas inocentes. Este é terrorismo supremacista branco e, sabendo disso, Donald Trump os elogia repetidamente e pede que eles tomem as ruas", criticou.

O líder dos Proud Boys, Enrique Tarrio, usou a rede social Parler para avisar que os integrantes do grupo "irão para a rua em números sem precedentes, mas desta vez com uma diferença".

"Não usaremos os nossos tradicionais uniformes pretos e amarelos. Estaremos à paisana e espalhados por todo o centro de Washington DC, em pelotões menores", prometeu.

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