Wuhan se reconecta a um mundo em batalha contra o coronavírus

Relembre os acontecimentos mais importantes que ocorreram na cidade da China que foi considerada o epicentro da pandemia

Fim da quarentena em Wuhan

Wuhan enfrentou uma doença desconhecida e agora sai da quarentena

Wuhan enfrentou uma doença desconhecida e agora sai da quarentena

Fotos: China Daily via Reuters e Reuters / Montagem: R7

Nesta quarta-feira (8), Wuhan amanheceu diferente de como vinha amanhecendo há 11 semanas. A capital da província de Hubei na China, primeiro epicentro da pandemia de covid-19, levanta os bloqueios de estradas e aeroportos e suaviza as restrições extremas de mobilidade para novamente se conectar com o mundo externo que não seja pela doença que a tornou tragicamente famosa.

Relembre os principais fatos sobre a trajetória de Wuhan, do choque da descoberta de uma nova doença, passando pela triste contabilidade de mais de 3.200 mortes ao momento de superação.

Uma nova e mortal doença

Em 31 de dezembro de 2019, o governo de Wuhan notificou a OMS (Organização Mundial de Saúde) sobre uma série de casos de pneumonia cuja origem era desconhecida.

Médicos de Wuhan atendem pacientes com coronavírus

Médicos de Wuhan atendem pacientes com coronavírus

Stringer via EFE-EPA - 20.1.2020

No ínicio de janeiro deste ano foi identificado o causador dos problemas respiratórios que acometiam os cidadãos chineses: um novo coronavírus, causador de uma Sars — sigla em inglês que traduzida significa Síndrome Respiratória Aguda Grave. 

Poucos dias depois, ocorreu a primeira morte ocasionada pela doença na China. Em 18 de janeiro, já eram 45 casos e duas mortes. Três dias depois, os diagnósticos da síndrome provocada pelo novo coronavírus tinham saltado para mais de 450 e nove pessoas já haviam morrido.

Neste mesmo período, foram registrados os primeiro casos fora do país. Os primeiros locais a registrar a doença foram Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Austrália, Estados Unidos e Alemanha. 

Quarentena, casos e vítimas

No dia 23 de janeiro, três dias após a China declarar emergência, deu-se início a quarentena e Wuhan foi isolada. Assim, o governo chinês pretendia controlar a disseminação do vírus. Até aquele dia, menos de um mês após a notificação para a OMS, o vírus já havia matado 17 pessoas.

Vinte dias depois, em 13 de fevereiro, Wuhan registrou o maior número de casos em um período de 24 horas: 15.152 mil. Na mesma data ocorreu o maior número de óbitos desde a notificação da doença. Foram 254 mortes, seguidas por 150 mortes no dia 24 do mesmo mês.

Na terça-feira (7), a OMS divulgou 66 novos casos na China. No total, são 83.071 mil confirmados e 3.340 mortes. Já o mundo registra 1.282.931 milhão e 72.776 mil mortes.

O médico que deu alerta sobre o vírus

Um dia antes do país notificar a OMS, o médico oftomologista Li Wenliang, 34, alertou colegas de profissão sobre um vírus com característica semelhantes ao que provocou a epidemia de Sars. Em uma mensagem relatando um surto deste novo coronavírus, Li aconselhou o uso de equipamentos de proteção para lidar com pacientes com sintomas de síndrome respiratória.

Após o alerta, ele foi surpreendido por agentes do Escritório de Segurança Pública que acusavam o médico de divulgar informações falsas. Ele assinou um termo que continha uma repreensão e um aviso de que seria levado à justiça se insistisse "com essa impertinência" e continuasse com tal "atividade ilegal".

Cerimônia de luto em Hong Kong

Cerimônia de luto em Hong Kong

Jerome Favre/EFE/EPA - 07.02.2020

Em 10 de janeiro, o médico apresentou os sintomas iguais ao da doença. Algumas semanas depois ele publicou uma cópia da carta que havia recebido dos agentes. As autoridades chinesas posteriormente publicaram uma retratação.

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No dia 30, ele postou em sua rede social que, finalmente, havia sido diagnosticado. Li Wenliang estava com o novo coronavírus. No dia 6 de fevereiro (1h58 no horário de Brasília), a morte do médico que alertou sobre a doença que provocaria uma pandemia foi confirmada.

Construção de hospitais

A China construiu dois hospitais de emergência para receber as vítimas do novo coronavírus. O primeiro, o Hospital Huoshenshan, foi construído em 10 dias e tinha capacidade para receber 1.000 pacientes. Ele foi aberto no dia 3 de fevereiro.

Construção do hospital Huoshenshan

Construção do hospital Huoshenshan

Shi Yi/EFE/EPA - 28.01.2020

O Hospital Leishenshan foi o segundo a ser construído em dez dias. Com capacidade para 1.600 leitos, ele foi entregue apenas três dias depois da entrega do primeiro.

As estruturas de emergência foram centrais no controle do surto. Hoje, a OMS recomenda que todos os países invistam na construção de clínicas e hospitais, ou montem hospitais de campanha.

Covid-19

Em 11 de fevereiro, em Genebra, a OMS divulgou o nome oficial da doença causada pelo novo coronavírus: covid-19. O nome origina-se a partir da palavras em inglês "CoronaVirus Disease" - "doença por coronavírus". O 19 faz referência a 2019, ano em que o novo coronavírus foi identificado.

A origem no novo vírus ainda não é certa, mas há suspeitas que tenha sido no mercado de frutos do mar, na cidade de Wuhan.

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Fim da quarentena

O fim do pico da covid-19 foi anunciado pela Comissão Nacional de Saúde da China no dia 12 de março. O contágio pôde ser diminuído devido à severa quarentena em Wuhan, associadas à restrição de viagens e de movimentação dentro do país.

As medidas foram responsáveis por praticamente "prender" o coronavírus na província de Hubei, sem deixá-lo se espalhar pela China. Das 3.335 mortes registradas na China, 3.212 ocorreram em Wuhan ou nos arredores. No entanto, a demora na identificação da doença e de outras medidas internacionais fizeram com que, de avião e navio, o coronavírus se tornasse o responsável pela maior crise global do século XXI.

A partir desta quarta-feira (8), a quarentena e as restrições estão suspensas. Para sair da cidade, os moradores de Wuhan precisarão de um código QR de saúde verde, que significa que a pessoa não está doente ou não teve contato com alguém infectado.

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Na segunda-feira (6), foram 39 novos casos (sendo apenas um de contágio interno), enquanto na terça foram 32. A cidade de Wuhan - que foi o epicentro do surto - registrou apenas dois novos casos desde 18 de março.

Barreiras de contenção para isolamento estão sendo retiradas em Wuhan

Barreiras de contenção para isolamento estão sendo retiradas em Wuhan

Roman Pilipey/EFE/EPA - 02.04.2020

Na terça-feira (6), o país teve o primeiro dia sem mortes provocadas pelo novo coronavírus.  Atualmente, as autoridades têm se preocupado com os casos da doença que são provenientes de pessoas do exterior. Apesar dos números serem pequenos, os registros inspiram o receio de que a doença ressurja.

Toda a China começa a retomar suas atividades normais, ainda que devagar e com um pouco de medo. Com os números de casos e mortes em queda considerável e ainda com algumas medidas, como uso de máscara e checagem de tempertura realizada por autoridades sanitárias, o país volta, gradativamente, a conquistar sua normalidade.