Internacional Zelenski: Rússia deve intensificar ataques nesta semana enquanto UE decide candidatura da Ucrânia

Zelenski: Rússia deve intensificar ataques nesta semana enquanto UE decide candidatura da Ucrânia

Membros do bloco se reunirão na quinta e na sexta-feira para decidir se o país poderá entrar para a categoria de candidato

AFP

Resumindo a Notícia

  • Governador de Lugansk disse que russos tentaram avanço em Toshkivka (sul)
  • Político negou a tomada de toda a cidade de Severodonetsk pela Rússia
  • Região é estratégica para o rumo da batalha no Donbass
  • Chefe da diplomacia da UE disse que bloquear exportações de cereais é crime de guerra
Presidente ucraniano Volodmir Zelenski realiza coletiva de imprensa em Kiev

Presidente ucraniano Volodmir Zelenski realiza coletiva de imprensa em Kiev

Ludovic Marin/AFP - 16.06.2022

O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, advertiu que espera que a "Rússia intensifique os ataques nesta semana", a poucos dias do debate entre os 27 países da União Europeia (UE) sobre a candidatura de Kiev ao bloco.

"Nesta segunda-feira começa uma semana realmente histórica", afirmou Zelenski sobre a aguardada resposta da UE a respeito da concessão do status de país candidato à Ucrânia. 

Depois que a Ucrânia recebeu a luz verde da Comissão Europeia na sexta-feira, os países da UE se reunirão na quinta e na sexta-feira para decidir se Kiev poderá entrar para a categoria de país candidato, uma decisão que deve ser tomada por unanimidade. 

"Obviamente, esperamos que a Rússia intensifique os ataques nesta semana", declarou o presidente ucraniano, antes de dizer que as tropas do país se preparam para esse cenário e estão "prontas". 

Zelenski disse que os russos "reagrupam suas forças na direção de Kharkiv e da região de Zaporizhzhia" e continuam bombardeando as infraestruturas de combustíveis. 

Ele afirmou que o Exército responderá aos ataques, ao mesmo tempo que admitiu "perdas significativas". 

Serguei Gaiday, governador de Lugansk, na região leste do país, que foi alvo de intensos bombardeios nas últimas semanas, informou que "os russos tentaram um avanço na área de Toshkivka e conseguiram parcialmente", mas destacou que a artilharia ucraniana funcionou e o conjunto do avanço não teve êxito. 

Toshkivka fica ao sul de Lysychansk, a cidade gêmea de Severodonetsk, que concentra a ofensiva russa na bacia de mineração do Donbass (leste da Ucrânia). 

Em Lysychansk há indícios de preparação para um combate nas ruas: os soldados instalaram arame farpado e a polícia deslocou os destroços de veículos queimados para tentar impedir a passagem dos russos.

Gaiday negou no domingo a tomada de toda a cidade de Severodonetsk pelos russos, mas admitiu que as tropas de Moscou "controlam a maior parte" da região.

O Ministério da Defesa russo reivindicou o controle de Metiolkine, na periferia de Severodonetsk, cidade estratégica para o rumo da batalha no Donbass, área parcialmente controlada pelos separatistas pró-Rússia desde 2014.

Na frente sul, o Exército ucraniano afirma que as forças russas "não conseguem avançar no terreno" e apenas continuam com os bombardeios.

O Ministério da Defesa da Rússia informou que havia utilizado mísseis de cruzeiro para atacar uma fábrica em Mykolaiv e destruído "dez obuses de 155 mm e até 20 veículos blindados fornecidos ao regime de Kiev pelo Ocidente nos últimos dez dias".

Mykolaiv é uma cidade portuária e industrial onde meio milhão de pessoas moravam antes da guerra. A localidade é alvo dos ataques russos porque fica na rota para Odessa, o principal porto da Ucrânia.

Crime de guerra

Nesta segunda-feira, o chefe da diplomacia da UE (União Europeia), Josep Borrell, afirmou que a Rússia comete um "verdadeiro crime de guerra" ao bloquear a exportação de cereais e grãos da Ucrânia. 

Contra a UE, a Rússia utiliza seus hidrocarbonetos como arma e cortou o fluxo de gás para vários países na semana passada.

Ao mesmo tempo, as exportações de petróleo russo para a China aumentaram 55% em maio, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Em uma tentativa de reduzir a dependência da Rússia, países como a Alemanha apostam em soluções menos ecológicas, inclusive centrais de carvão 

"É amargo, mas é indispensável reduzir o consumo de gás", declarou o ministro da Economia, o ecologista Robert Habeck, apesar de o governo de coalizão alemão ter prometido abandonar o uso de carvão até 2030.

A Áustria também anunciou no domingo a reativação de uma usina de carvão fechada em 2020. Antes da guerra, o governo de Viena pretendia interromper o uso dessa fonte de energia e produzir eletricidade 100% de origem renovável até o fim da década. 

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