Internacional Zimbábue acusa oposição de se armar para golpe de Estado

Zimbábue acusa oposição de se armar para golpe de Estado

Sem evidências, ministro disse que grupos opositores contam com a ajuda do Ocidente para trazer armas ao país. Grupo nega as acusações

  • Internacional | Da EFE

Zimbábue acusa oposição de 'trazer armas ao país'

Zimbábue acusa oposição de 'trazer armas ao país'

Reprodução

O Governo do Zimbábue acusou o principal grupo de oposição de trazer armas ao país para realizar um suposto golpe contra o presidente, fato que o partido da oposição nega veementemente.

"A aliança do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) afirma constantemente que nossa luta pela democracia e por um Zimbábue melhor é travada por meios constitucionais e não violentos", disse a formação liderada pelo opositor Nelson Chamisa nesta terça-feira (29) em um comunicado.

"Não estamos treinando força em lugar nenhum", insistiu.

É assim que o partido de Chamisa responde ao ministro do Interior, Owen Ncube, que disse na segunda-feira (28) que houve tentativas da oposição e de "potências estrangeiras" de "levar o Zimbábue ao caos".

“Alguns elementos dissidentes estão conspirando com alguns governos hostis do Ocidente para contrabandear armas e estabelecer os chamados Comitês de Resistência Democrática, que são milícias violentas”, enfatizou o ministro em uma entrevista coletiva.

Ncube não forneceu nenhuma evidência para apoiar seus comentários, mas pediu ao MDC para "reformular-se como um partido político de oposição normal que aceita os resultados dos processos democráticos e seja paciente para esperar por outra oportunidade de mostrar aos eleitores que são dignos de confiança.”

Ameaças à oposição

Esta não é a primeira vez que o governo do Zimbábue usa esse tipo de retórica, já que o presidente prometeu no início de agosto "purgar" a oposição, chamando-a de "maçãs podres".

"Aqueles que promovem o ódio e a desarmonia nunca vencerão, as maçãs podres que tentaram dividir nosso povo e enfraquecer nosso sistema serão eliminadas", disse Mnangagwa em uma mensagem transmitida à nação pelo Palácio Presidencial em agosto.

A oposição vê na nova mensagem do Ministério do Interior um possível pretexto para acabar com a dissidência política.

"Sinto o cheiro de uma repressão iminente e esta afirmação pretende ser uma justificativa", disse a secretária de relações internacionais do grupo, Gladys Hlatshwayo, pelo Twitter.

Crise econômica e humanitária

Há um mal-estar geral em todo o país devido a uma crise econômica e humanitária agravada ainda mais pelas medidas que foram impostas para tentar conter a pandemia do coronavírus.

A inflação atual no país está acima de 700%, enquanto cerca de 6 milhões dos 16 milhões de pessoas que vivem no estado precisam de ajuda humanitária.

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