A cada uma hora, três mineiros sofrem golpes pela internet

Ameaça, estelionato e difamação representam 60 % das ocorrências

Hackers invadiram redes sociais de professora
Hackers invadiram redes sociais de professora Imagem cedida / Rosilene Machado

Todos os dias, cerca de 67 pessoas são vítimas de crimes pela internet, em Minas, quase três golpes por hora sendo colocados em prática na rede. Do total, mais de 60% dos ataques são relacionadas à ameaças, estelionato e difamação de usuários. Conforme dados da polícia mineira, entre os meses de janeiro a outubro, o Estado registrou um aumento de 13,4% no número de casos, em relação ao mesmo período de 2016.

A Polícia Civil alerta que a presença massiva dos dispositivos digitais no cotidiano torna a maioria das pessoas com acesso à web potenciais alvos dos criminosos, sem distinção etária ou classe social. Como o caso da professora Rosilene Machado, de 39 anos, que teve os perfis de duas redes sociais invadidos.

Os suspeitos do ataque virtual enviaram mensagens a 65 contatos da educadora pedindo empréstimos que variavam entre R$ 500 e R$ 700. Nas conversas, a falsa Rosilene explicava que teve o cartão bloqueado e precisava pagar uma dívida.

Segundo ela, nenhum dos amigos abordados teria caído no esquema, mas esta não foi a primeira vez que Rosilene se viu diante de um crime cibernético. Pouco tempo antes, ela também teve hackeada a conta em um aplicativo de transporte, que gerou um débito no cartão de crédito de R$1.000.

Rosilene foi alvo de dois ataques neste ano
Rosilene foi alvo de dois ataques neste ano Reprodução / Facebook - Rosilene Machado

— O Facebook me mandou uma mensagem por e-mail, alertando que a minha conta tinha sido acessada por um IP desconhecido. Que normalmente nunca tinha sido usado.

 

 

“Haters”

De acordo com o delegado Felipe Carvalho, responsável pela Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos de BH, a compreensão de liberdade de expressão nas redes sociais pode se tornar um problema quando ela esconde um discurso de ódio. Para ele, as pessoas que convivem nesses ambientes devem estar cientes que podem responder judicialmente pelas opiniões que exprimem.

— A pessoa tem que saber que está em um ambiente plural, de todos os credos e que diferentes opiniões e etnias fazem parte dele.

A falta de noção desta responsabilidade levou o cirurgião plástico mineiro Fábio Roberto Campos a procurar os tribunais. Ele conta que começou a receber potenciais clientes que não o contrataram alegando que tiveram más referências sobre ele. Intrigado com a justificativa dos pacientes. Campos resolveu procurar pelo nome dele na internet e encontrou um blog feito especialmente para difamá-lo. Nas publicações, uma suposta ex-paciente que fez uma lipoaspiração e colocou prótese mamária relata ter ficado com cicatrizes e com os seios desiguais. Além das críticas ao trabalho do médico, ela ainda fazia ofensas usando palavras de baixo calão.

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Após mover uma ação judicial contra a empresa que hospeda a página na internet, o cirurgião conseguiu tirá-la do ar. Agora, o advogado Victor Pessoa, que defende o médico, tenta conseguir a responsabilização do autor do blog, que usou o codinome Lady Fetiche, pelo crime de difamação.

— A paciente não entrou com nenhuma ação contra ele [o médico], que é o que uma pessoa normal faria, alegando problemas com o procedimento.

Punição

De acordo com o delegado Felipe Carvalho, o anonimato é uma das barreiras para punição dos criminosos. Ainda assim, é possível chegar até eles pedindo, judicialmente, a quebra do sigilo das contas dos suspeitos em redes sociais.

A promotora de Justiça e coordenadora da Coeciber (Coordenadoria Estadual de Combate aos Crimes Cibernéticos) Christiane Bensoussan, explica que boa parte das pessoas que são processadas por cometerem este tipo de infração é penalizada, mas nem sempre com o rigor necessário. A causa disso está na falta de legislação específica para combater cada crime.

Segundo Christiane, existem crimes cibernéticos que sugiram no meio virtual, como o roubo de dados, e também antigas ações criminosas, como estelionato, que passaram a ser praticadas nesses ambientes. Em casos como este, o responsável é julgado de acordo com as leis antigas que não trazem detalhamentos sobre atos cometidos via rede. Mas a promotora ressalta que já existem regulamentos que abordam temas específicos e conseguem facilitar a justiça.

- A lei Carolina Dieckmann trouxe para o Código Penal pontos que ainda não eram abordados, como a invasão de dispositivos.

A lei 12.737/2012, batizada de lei Carolina Dieckmann, criminaliza a invasão de aparelhos eletrônicos, roubo de dados e a comercialização do conteúdo obtidos ilegalmente. Ela foi sancionada em 2012, no mesmo ano em que a atriz teve fotos íntimas roubadas por hackers e divulgadas na internet. Na época, Carolina contou que foi ameaçada pelos criminosos que queriam R$ 10 mil para não publicar as imagens.

Fui vítima

Quem foi alvo de algum tipo de golpe cibernético, deve procurar uma delegacia da Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrências. Em algumas cidades, como em Belo Horizonte, existem delegacias especializadas na modalidade.

Para evitar passar por problemas como a atriz Carolina Dieckmann e a professora Rosilene Machado, citada no início da matéria, o delegado Felipe Carvalho alerta que alguns cuidados devem ser tomados. Confira:

 

* Pablo Nascimento, estagiário do R7