Minas Gerais Acusação de racismo pode suspender escolha de nome de gorila em zoo de BH

Acusação de racismo pode suspender escolha de nome de gorila em zoo de BH

MP considera que origem africana do nome para um macaco "perpetua a opressão"

Acusação de racismo pode suspender escolha de nome de gorila em zoo de BH

Por iniciativa de uma ONG de Belo Horizonte, pode ser suspensa a escolha do nome do segundo filhote de gorila do zoológico da capital mineira. Ao considerar que as opções em disputa, de origem africana, podem configurar racismo, a promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos do Ministério Público foi acionada e recomendou à prefeitura que cancele a votação.

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A representação da ONG Insod (Instituto de Inovação Social e Diversidade Cultural) enviada ao MP questiona a escolha de nomes de origem africana para o gorila. "Inaceitável a postura da Fundação, no sentido de vincular um ícone histórico de racismo – o macaco – a nomes de origem africana, com o intuito, segundo a Fundação, de fazer homenagem à origem africana do animal, sem levar em consideração a magnitude dos danos aos grupos étnicos-raciais diretamente atingidos".

Na última sexta-feira (12), as promotoras de Justiça Nívia Mônica da Silva e Cláudia Amaral Xavier enviaram recomendação à Fundação Zoo-Botânica, que administra o zoológico, para cancelar a votação ou substituir os nomes. Segundo o documento, “muito embora bem intencionada, a votação pode atuar em sentido contrário ao pretendido: ao invés de prestar uma homenagem ao continente africano, contribuirá, por certo, para a perpetuação de uma opressão sistêmica e estrutural ao povo negro”.

Os nomes em votação são Ayo, que tem como significado “felicidade”, Bakari, que significa “o que terá sucesso”, e Jahari, que é “jovem forte e poderoso”. A ideia da prefeitura era batizar o segundo gorila com um nome africano para homenagear a origem do gorila. O primeiro filhote recebeu o nome de Sawidi, que em Tupi-Guarani quer dizer "é amado, querido, desejado".

A Prefeitura de BH informou que a "Procuradoria-Geral do município analisa recomendação do MP".

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