Minas Gerais Advogado vendeu esteira da Nasa de R$ 263 mil para o Cruzeiro

Advogado vendeu esteira da Nasa de R$ 263 mil para o Cruzeiro

Carlos Alberto Arges é investigado pela operação Escobar, da Polícia Federal, suspeito de envolvimento em esquema de vazamento de dados sigilosos

Esteira teria sido negociada entre advogado e o Cruzeiro

Esteira teria sido negociada entre advogado e o Cruzeiro

Divulgação/Cruzeiro

A Polícia Civil em Belo Horizonte está investigando a negociação de uma esteira entre um advogado preso pela Operação Escobar da Polícia Federal com o Cruzeiro Esporte Clube. O recibo da transação, obtido pelo jornalismo da Record TV, mostra que o advogado Carlos Alberto Arges Júnior vendeu o equipamento para Cruzeiro, em 2018, pela quantia de R$ 263 mil.

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Entre outros clientes, Arges Júnior defende o vice-presidente do Cruzeiro, Itair Machado, e o empresário Oswaldo Borges da Costa Filho, ex-presidente da Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais).  Oswaldinho, como é mais conhecido, é apontado pela Lava Jato como suposto operador financeiro do deputado federal Aécio Neves (PSDB) em um suposto esquema de fraudes na obra da Cidade Administrativa.

Em entrevista ao R7, Arges Júnior confirmou a venda a afirmou que se trata de uma esteira de última geração, desenvolvida pela Agência Espacial Norte Americana (Nasa). "Comprei a esteira para o meu uso pessoal, mas nem liguei porque é muito grande", afirmou.

Questionado por qual motivo não pesquisou antes de comprar um equipamento esportivo tão valioso, o advogado declarou: "Quem nunca comprou um carro antes de andar e depois se arrependeu?". A assessoria do Cruzeiro foi procurada, ontem, mas ainda não se pronunciou.

Segundo o recibo do contrato, o advogado vendeu ao Cruzeiro a esteira usada  tipo "Alter G", em perfeito funcionamento, pelo valor total de R$ 263.380,50,  em 13 de abril de 2018. Arges júnior teve mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça Federal em BH, no âmbito da operação Escobar, que investiva o vazamento de inquéritos sigilosos da PF. Ele, no entanto, foi solto dois dias depois pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Investigados

Dois escrivães da PF estão entre os investigados pela Operação Escobar, suspeitos de vazamento de documentos reservados. "Estão querendo criminalizar a advogacia. Para que ia pedir servidor público para acessar inquérito que já tive acesso, que sou advogado.", argumentou Arges Júnior.

Conforme mostrou o R7, com base em documentos da investigação, o escritório de Arges Júnior transferiu uma moto para o escrivão Márcio Marra, preso pela Operação Escobar, desencadeada na semana passada pela PF em Belo Horizonte. O advogado garante que não houve ilegalidade na venda.