Minas Gerais Ameaçados por barragem relatam pânico em Barão de Cocais (MG)

Ameaçados por barragem relatam pânico em Barão de Cocais (MG)

Moradores foram recebidos pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia e relataram problemas nas cidades ameaçadas

Moradores relataram pânico em comunidades ameaçadas

Moradores relataram pânico em comunidades ameaçadas

Divulgação/ALMG/Ricardo Barbosa

Moradores de Barão de Cocais (a 78 km de Belo Horizonte) e outros municípios mineiros afetados por problemas relacionados às barragens, como Catas Altas, Itatiaiuçu, João Monlevade, Ouro Preto e Nova Lima denunciaram violações aos direitos dos atingidos pela mineração no Estado.

Eles foram recebidos em sessão da Comissão de Direitos Humanos da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais). 

Centenas de pessoas foram retiradas de suas casas depois que a Vale elevou o nível de risco da barragem Sul Superior, da mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, no último dia 18 de fevereiro. Conforme relatos dos moradores, no entanto, o restante da população vive em pânico. 

Na última segunda-feira (25), mais de 3.000 pessoas participaram de uma simulação de evacuação de emergência. Durante a reunião, a coordenadora do Movimento Estadual pela Soberania Popular na Mineração, Sandra Santos, leu o relato de um morador que apontou várias falhas no procedimento, como baixa adesão da população, volume muito baixo das sirenes e carros de som que demoraram a chegar aos bairros.

De acordo com alguns moradores, os profissionais da Vale que participaram da simulação se mostraram pouco aptos a atender as pessoas nos pontos de encontro definidos para o exercício. Para Sandra Santos, a simulação alarmou ainda mais a população.

Mesma impressão teve Maxwell Andrade, representante dos moradores que foram retirados de suas casas, que participou como voluntário da simulação. Ele afirmou que os moradores da chamada zona de autossalvamento (que estão a 10 km ou 30 minutos do possível rompimento da barragem) continuam esquecidos, sem informações claras por parte da empresa.

O representante da Defesa Civil Estadual, major PM Marcos Afonso Pereira, informou que o momento é de aprimoramento de rotinas, rotas de fuga, pontos de bloqueio e também das ações de comunicação com as populações que ainda correm risco de serem atingidas por desastres semelhantes ao de Brumadinho. 

O representante da Vale na audiência, o gerente executivo Marcelo Klein, afirmou que a empresa está trabalhando para, dentro dos próximos 90 dias, alojar em moradias provisórias todas as 478 pessoas que hoje ainda estão em hotéis e casas de parentes.

Vale

A deputada Beatriz Cerqueira (PT), que presidia a sessão, teve que intervir para garantir que o representante da Vale continuasse a falar, depois de ter sido interrompido pelos moradores que acompanhavam a audiência.

Marcelo Klein, que coordena o chamado "Comitê de Resposta", listou uma série de providências que a Vale estaria tomando para evitar novas catástrofes e garantir que todos os atingidos sejam ouvidos. Segundo ele, as recentes elevações no nível de risco de várias barragens de rejeitos se devem não à piora na condição das estruturas, mas ao rigor máximo que se tem adotado nas avaliações.

— Muitas empresas avaliadoras, inclusive, não querem mais fazer o trabalho, ficam temerosas de dar a certificação.

Marcelo assumiu o compromisso de ampliar a comunicação da empresa sobre os riscos das barragens e pediu ajuda da população para que não se espalhe ainda mais pânico, mas foi vaiado pelos moradores presentes. 

Reivindicações

Representando o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), Pablo Dias levou à comissão uma série de reivindicações com direitos básicos dos atingidos, como a reparação integral dos danos materiais e morais, a retirada dor moradores de suas casas em área de risco, mesmo antes de a saída ser obrigatória e o acesso a informação sobre a situação e de participação direta na elaboração dos planos emergenciais.