Coronavírus

Minas Gerais Após 7 meses da 1º morte por covid em MG, doença ainda gera dúvidas

Após 7 meses da 1º morte por covid em MG, doença ainda gera dúvidas

Infectologista diz que covid apresenta sintomas muito individuais e alerta para riscos de uma 2º onda; primeira morte em MG foi no dia 29 de março

  • Minas Gerais | Célio Ribeiro*, do R7

Primeira morte por covid-19 em MG completa 7 meses

Primeira morte por covid-19 em MG completa 7 meses

Reprodução / Freepik

Nesta quinta-feira (29), completam-se sete meses da primeira morte causada pela covid-19 em Minas Gerais. Mesmo após muitos estudos, a doença ainda gera muita dúvidas nas pessoas, inclusive nos profissionais de saúde.

Do dia 29 de março até hoje, o vírus já infectou 355.226 mineiros e matou 8.916 deles. O clínico infectologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas Dr. Luiz Wellington Pinto conta que, inicialmente, a covid-19 era comparada com os surtos anteriores de coronavírus, mas o número e a gravidade dos casos mudou a opinião dos especialistas.

— No início, pensávamos que os pacientes teriam o mesmo quadro dos infectados pelas outras Sars (síndrome respiratória aguda grave), mas o número de casos graves foi se acumulando e isso caiu por terra. As dúvidas persistem, principalmente as relacionadas com a evolução clínica dos infectados.

De acordo com o especialista, os protocolos de atendimento para pacientes com covid-19 evoluiu, e estudos mostraram que medicamentos como a cloroquina e a ivermectina não trazem tantos benefícios como se esperavam. O infectologista esclarece que, hoje, o normal é escolher o tratamento de acordo com os sintomas que são apresentados.

— Existem respostas individualizadas. Alguns apresentam problemas respiratórios, outros acabam tendo cardiopatias. Um tratamento específico ainda não existe, estamos aguardando. Nos casos graves, o uso de anticoagulantes têm tido resultados promissores.

Alta de casos na Europa é alerta para segunda onda

Alta de casos na Europa é alerta para segunda onda

Reprodução / Freepik

Segunda onda

Os últimos números indicam que partes da Europa já podem estar na segunda onda da covid-19. Para o Dr. Luiz Wellington, a alta de casos em países como Itália e Espanha mostram que a imunidade de rebanho não é tão efetiva. Ele alerta para os riscos de Minas Gerais passar pela mesma situação caso as medidas de segurança sejam abandonadas.

— Se não tivermos cuidado, infelizmente vamos passar por uma segunda onda. Tem gente que fala comigo que não usa máscara e eu respondo: “você pode até não usar, mas você vai assumir a responsabilidade de ter covid?”. A maioria nega.

Avanços

Com a teoria da imunidade de rebanho perdendo forças, a vacina contra a covid-19 se tornou a grande esperança. O infectologista destaca que, apesar de muitas tristezas, a pandemia trouxe também grandes avanços, não só na área da saúde. A expectativa da criação de uma vacina em tempo recorde é, para ele, um grande benefício para a humanidade.

— Normalmente uma vacina demora 2, 3, até 10 anos para ficar pronta. Agora existe a chance de uma campanha de vacinação começar em alguns meses. Isso é uma boa herança que a pandemia trouxe para nós.

Estruturação de hospitais mineiros é destaque positivo

Estruturação de hospitais mineiros é destaque positivo

Divulgação / Governo de Minas / Gil Leonardi

Já no caso de Minas Gerais, o especialista ressalta que a estruturação dos hospitais deve ser o maior legado deixado pela pandemia do novo coronavírus.

— Foram criados mais leitos, as unidades de saúde foram equipadas. Tudo isso é ótimo, apesar da tristeza da situação. Seria muito bom que, após esse período, esses avanços continuassem. Não devemos parar por aqui.

*Estagiário do R7 sob a supervisão de Lucas Pavanelli.

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