Após mudança de cálculo, ocupação de UTIs cai de 90% para 68% em MG

Governo ficou mais de uma semana sem atualizar informações sobre taxas de ocupação de leitos no Estado; dados voltaram a ser informados nesta segunda

Hospital de Campanha permanece fechado

Hospital de Campanha permanece fechado

Divulgação/Imprensa MG/Pedro Gontijo

O Governo de Minas voltou a divulgar nesta segunda-feira (6) os dados referentes à ocupação de leitos de UTI e de enfermaria na rede pública estadual após cerca de uma semana sem disponibilizar as informações em site ou email, como vinha ocorrendo anteriormente.

De acordo com a SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais), 68,24% dos 3.351 leitos de UTI no Estado estão ocupados. O dado chama a atenção já que, no final de junho, essa taxa já havia ultrapassado a marca de 90%, gerando preocupação nas autoridades de saúde.

Minas precisará de 923 leitos de UTI para dar conta de pico da pandemia

Em e-mail enviado à reportagem em 24 de junho, a assessoria de imprensa da SES-MG informava que a taxa de ocupação era de 90,36% e que a secretaria monitorava diariamente a situação dos leitos na rede hospitalar.

A informação também diverge de um documento do COES (Centro de Operações de Emergência em Saúde), do próprio Governo de Minas, que estimava no dia 15 de junho que as vagas de UTI poderiam se esgotar no dia 25 de junho

O documento do COES também detalhava que, das 14 regiões de saúde do Estado, 11 estão em situação crítica e outras três em "alerta". Nenhuma das regiões está em situação classificada como "esperada" pelo governo estadual.

Metodologia de cálculo

Neste intervalo de uma semana, o Governo de Minas criou o Escritório de Gestão de Leitos, formado por servidores da SES-MG, que alterou a metolodogia de cálculo das taxas de ocupação de leitos hospitalares no Estado. 

UTIs estão com mais de 90% de ocupação em 6 das 14 regiões de MG

Segundo a pasta, a alteração visa proporcionar "um monitoramento em tempo real e um refinamento mais preciso dos dados sobre a taxa de ocupação de leitos em Minas Gerais". A SES-MG disse, ainda, que a metodologia foi modernizada e "trará melhores subsídios aos gestores públicos para tomadas de decisões no enfrentamento da covid-19".

De acordo com informações da SES-MG, os dados sobre ocupação de leitos são informados pelos prestadores, por meio do sistema SUSFácilMG e, pela metodologia adotada antes, o sistema incluía a informação sobre a entrada do paciente em um determinado leitos mas não informava se houve mudança, da UTI para enfermaria, ou vice-versa, durante a internação hospitalar. 

A reportagem entrou em contato com a secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais para saber mais sobre a nova metodologia de cálculo e a discrepância entre os números antes e depois dessa alteração, mas ainda não obteve resposta. 

Demissão

A questão envolvendo a ocupação de leitos em Minas Gerais causou uma baixa na SES-MG. No dia 24 de junho, o então subsecretário de Regulação do Acesso a Serviços e Insumos de Saúde, Nicodemus de Arimathea e Silva Junior, responsável pela coordenação dos leitos hospitalares no Estado foi exonerado

Segundo a SES, a mudança é “natural e necessária para adequações neste momento de enfrentamento” à covid-19.