Novo Coronavírus

Minas Gerais Backer é autorizada a fazer álcool contra covid com cerveja estocada

Backer é autorizada a fazer álcool contra covid com cerveja estocada

Ministério liberou a empresa para retirar bebidas não contaminadas de 66 dos 70 tanques da fábrica, mas não aprovou reabertura da cervejaria mineira

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento e Luíza Lanza*, do R7

Investigação interditou a fábrica da cervejaria Backer desde janeiro

Investigação interditou a fábrica da cervejaria Backer desde janeiro

Kiuane Rodrigues/ Record Tv Minas

O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) autorizou, nesta terça-feira (28), a Backer a abrir 66 dos 70 tanques interditados da fábrica para descartar a cerveja estocada no local. Segundo a empresa, o material vai ser usado na fabricação de álcool 70% para ajudar no combate ao novo coronavírus.

A decisão do órgão federal, no entanto, não permite a volta da produção de bebidas da cervejaria mineira. A empresa é investigada pela possível contaminação de 42 consumidores, sendo nove casos de pessoas que morreram. "A Backer segue interditada até que seja possível afirmar que não há riscos para a produção de cervejas no local", informou o Mapa em nota.

Ao fazer a liberação, o Ministério explicou que o material que vai ser destilado e transformado em álcool não contém traços de monoetilenoglicol e dietilenoglicol, substâncias anticongelantes encontrados nas cervejas contaminadas.

Serão 472 mil litros de bedida, armazenados nos tanques há mais de 90 dias, destinados à produção de aproximadamente 28,3 mil litros de álcool 70%. Segundo a Backer, todo o material será doado para a rede pública de Saúde.

Ainda de acordo com a companhia, as bebidas contaminadas estão em outros três tanques que seguem lacrados. Um outro reservatório ainda é alvo de perícias. O Mapa afirma que os "produtos contaminados serão descartados por uma empresa especializada contratada para fazer a coleta e destinação desses resíduos".

Esperança de retorno

O advogado da empresa, Estevão Nejn, afirmou que a decisão do órgão federal sugere que a contaminação investigada tenha sido um fato "pontual" não registrado em toda fábrica. Com isto, a companhia espera poder voltar às atividades assim que o inquérito for concluído.

— É preciso cautela, pois o inquérito ainda deve ser concluído, mas é uma sinalização importante de que foi algo pontual, isolado, que não há contaminação na fábrica. Toda a linha de produção passará por testes e certificações do Ministério da Agricultura para que a Backer possa voltar a produzir com segurança e qualidade.

A reportagem procurou a Polícia Civil para comentar a situação dos tanques e a possível volta da empresa, mas a corporação não quis se manifestar. O Mapa também foi acionado, mas ainda não deu retorno.

Investigação

Desde janeiro, a Backer é investigada pela contaminação de cervejas com mono e dietilenoglicol. Os pacientes desenvolveram quadros de paralisias e problemas renais.

Após mais de 90 dias de investigações, o inquérito ainda quer explicar como as substâncias tóxicas foram parar nas bebidas. No início de abril, a Polícia Civil descartou a hipótese de sabotagem. 

* Estagiária sob supervisão de Pablo Nascimento

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