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Minas Gerais BH tem 4 mortes em 72h por falta de respiradores e demora para UTI

BH tem 4 mortes em 72h por falta de respiradores e demora para UTI

Denúncia do sindicato dos servidores indica que óbitos aconteceram em Upas que enfrentam superlotação

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7

Servidores denuncia saturação do sistema

Servidores denuncia saturação do sistema

Amanda Perobelli/Reuters - 17.03.2021

O Sindibel (Sindicato dos Servidores Públicos de Belo Horizonte) denuncia que, nas últimas 72 horas, duas pessoas morreram por falta de respiradores e outras duas por demora para conseguir uma UTI (unidade de tratamento intensivo), na capital mineira.

Segundo a diretoria do sindicato, os óbitos foram registrados nas Upas (Unidades de Pronto Atendimento) Nordeste, Pampulha, Oeste e Norte. Ainda de acordo com os trabalhadores, 200 pessoas estariam na fila por um leito na rede pública de saúde da cidade, nesta segunda-feira (29).

A vítima na Upa Nordeste foi o aposentado José Cirilo de Souza. Ele morreu aos 90 anos, neste sábado (27), em função de uma parada cardíaca.

Maria Verônica de Souza, filha do idoso, contou ao R7 que o pai estava internado na unidade desde o dia 18 de março. Ele foi levado para lá após sofrer um infarto.

Como ele já tinha problemas de saúde, apresentou dificuldades respiratórias e precisou ser entubado. Maria Verônica afirma que os médicos disseram à família que Souza precisava ser levado para uma UTI, mas o cenário não era animador.

— Um dos médicos disse que haviam mais quatro pessoas entubadas além dele e que, se conseguissem a vaga, talvez elas fosse transferidas primeiro por serem mais jovens e terem mais chances de aguentar a transferência.

Procurada a prefeitura negou o óbito por falta de respirador na Upa Norte. "Só nesta unidade, são nove respiradores.  Nas nove UPAs são 75 respiradores", informou a Secretaria de Saúde que ainda não comentou sobre as outras unidades.

"As salas de emergência estão com lotação excedida e pacientes graves com indicação de internação em CTI estão tendo que ficar em enfermaria nas Upas. Pacientes graves, mesmo entubados, não estão monitorados por equipamentos e profissionais em quantidade e qualidade adequadas, o que aumenta o risco de morte", indica manifesto publicado pelo sindicato.

Segundo a prefeitura divulgou que neste mês de março, a prefeitura abriu 243 novas UTIs, totalizando 526, o maior número desde o início da pandemia. Apenas nesta segunda-feira foram abertas 32 unidades. Segundo o boletim, o nível de ocupação com as novas vagas permaneceu estável, em 96,8%.

"Sem a garantia de vacinação em massa neste momento, a única medida para reduzir a ocupação dos leitos hospitalares e das Upas é o afastamento social e, se necessário,
o lockdown", cobrou o Sindibel ao denunciar a superlotação na Upas. A instituição não informação se os casos tem relação com a covid-19.

Para aliviar o sistema de saúde, a prefeitura de Belo Horizonte destinou um posto de saúde em cada uma das nove regionais para atenderem pacientes sem sintomas de covid-19, 24 horas por dia.

A secretaria de Saúde, no entanto, garante que "insumos, oxigênio e medicamentos, os estoques estão abastecidos nas UPAs".

Veja a íntegra da nota da Prefeitura de BH:

"A Prefeitura informa que Belo Horizonte, assim como todo o país, se encontra em uma situação grave em relação à pandemia da Covid-19. As UPAs da capital têm apresentado aumento na procura por atendimento nas unidades e a Secretaria Municipal de Saúde trabalha de forma ininterrupta para que todos os pacientes sejam atendidos.

A Prefeitura vem empreendendo todos os esforços para abrir novos leitos. Somente neste mês foram abertos 243 leitos de UTI Covid, saltando de 283, no dia 1º, para as atuais 526. Todos os pacientes hospitalizados nas instituições da Rede SUS que necessitam de UTI já foram cadastrados na central de leitos, que funciona 24 horas, sete dias por semana, inclusive nos feriados. É importante ressaltar que essas pessoas foram atendidas, estão recebendo atenção médica e poderão ser transferidas para um hospital, caso necessitem de cuidados indisponíveis nas UPAs.

Diante do aumento de demanda por atendimentos nas unidades de Saúde da capital provocado pela Covid-19, a Prefeitura de Belo Horizonte tem se empenhado para garantir assistência à população. A partir desta segunda-feira, dia 29 de março, as nove regionais passaram c contar com centros de saúde com funcionamento todos os dias, 24h, para atender a casos não Covid. Essa estratégia visa ampliar o atendimento de pessoas que não apresentam sintomas respiratórios e são classificados como baixa e média complexidade, deixando as UPAs dedicadas, prioritariamente, ao atendimento dos casos sintomáticos respiratórios, pediatria e traumas.

Na última sexta-feira, dia 26, três centros de saúde das regionais Centro-Sul, Pampulha e Venda Nova passaram a funcionar 24h. Em três dias de funcionamento foram realizados cerca de 600 atendimentos.

Sobre insumos, oxigênio e medicamentos, os estoques estão abastecidos nas UPAs e a informação de que pacientes morrerem na UPA Norte devido à falta de respirador, não procede. Só nesta unidade, são nove respiradores.  Nas nove UPAs são 75 respiradores."

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