Minas Gerais Candidatas a vereadora em BH denunciam ataque racista em "live"

Candidatas a vereadora em BH denunciam ataque racista em "live"

Tainá Rosa e Lauana Nara (PSOL) organizavam um debate em uma plataforma de vídeo quando três pessoas entraram iniciaram ataques por áudio e chat 

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli, do R7

Tainá e Lauana denunciaram ataque

Tainá e Lauana denunciaram ataque

Divulgação

As candidatas a vereadora de Belo Horizonte pelo PSOL, Tainá Rosa e Lauana Nara, foram vítimas de um ataque racista e de gênero durante uma plenária que realizava com apoiadores de sua campanha no último fim de semana.

Elas organizava um evento para discutir uma "cidade de todas" quando notaram que três pessoas entraram na sala. Primeiro, os invasores teriam colocado uma música com trechos de agressão sexual. Depois, uma série de ofensas racistas, como "Brancos no Topo! Negros macaco" foram postadas no chat da plataforma.

De acordo com Tainá, o ataque parecia coordenado já que, quando o organizador do evento bloqueava um participante, outro entrava com o som ou postava as frases racistas.

— O racismo é uma violência muito grande, a apologia à violência sexual é ainda mais severa. Tem a questão racial e a violência de gênero, nesse caso, trouxe para a gente ainda um lugar mais delicado.

Tainá e Lauara dividem um candidatura coletiva chamada "Mulheres Negras Sim", abrigada no PSOL. 

Candidatas denunciaram agressões ao Ministério Público

Candidatas denunciaram agressões ao Ministério Público

Reprodução

Racismo na política

O episódio abre discussão sobre o racismo na política e a sub-representatividade das mulheres negras. Tainá Rosa relembra que, desde a redemocratização, a Câmara Municipal de Belo Horizonte só teve cinco mulheres negras. Cada legislatura tem 41 vereadores. Hoje, só há quatro mulheres no Legislativo municipal e nenhuma delas é negra.

A candidata também cita que 27% da população brasileira é formada por mulheres negras mas, mesmo assim, apenas 2% do Congresso Nacional é composto por elas.

— Nós dedicamos nossa vida à erradicação do racismo no Brasil e a gente precisa discutir o racismo na política e encorajar as mulheres negras para ocupar esse lugar.

A campanha acionou o Ministério Público de Minas Gerais para apurar o ocorrido e tentar chegar aos autores do ataque.

Últimas