Novo Coronavírus

Minas Gerais Casos de Covid-19 podem ser até 7 vezes maiores que os registrados

Casos de Covid-19 podem ser até 7 vezes maiores que os registrados

Estudo mostra que, para cada 7,7 infectados, somente um é incluído nos registros oficiais; poucos testes dificultam saber número real de casos

  • Minas Gerais | Rodrigo Dias, da RecordTV Minas

Poucos testes podem explicar subnotificação

Poucos testes podem explicar subnotificação

Reprodução/RecordTV Minas

Um estudo realizado por professores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) mostram que o número de casos de Covid-19, no Brasil, é cerca de sete vezes maior do que o que apontam os registros oficiais. 

A análise, feita a partir de dados de internações hospitalares por síndromes respiratórias agudas entre 2012 e 2019, em comparação com 2020, mostra que para cada 7,7 infectados, apenas um teve o diagnóstico confirmado por exames. 

Covid-19: casos oficiais representam 8% de número real, diz estudo

De acordo com o professor da Face (Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG), Leonardo Costa Ribeiro, há muitas pessoas deixando o isolamento social por conta de uma aparente sensação de controle da doença, por causa dessa subnotificação.

— Em vez de usar os casos confirmados com subnotificação, a gente pode usar nesse fator de 7,7 para ajustar esses números e, a partir deles, fazer a modelagem de expansão da pandemia. 

Em comparação com outras capitais, como Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Salvador e Porto Alegre, Belo Horizonte é a que apresenta o menor número de ocorrências até o momento. Até o dia 19 de abril, a capital mineira registrou 452 casos e oito mortes. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, Minas Gerais tem 1.189 casos confirmados de Covid-19, com 41 mortes.

Apesar da diferença, segundo o pesquisador, ainda não é possível afirmar se Belo Horizonte apresenta menos casos da doença por falta de testes ou em virtude das medidas de isolamento social adotadas pelo poder público.

— Belo Horizonte tem tomado medidas bem efetivas nesse sentido e está colhendo os frutos dessas medidas ou pode ser que, simplesmente, que tem tão pouco teste sendo feito que esse número seria pela subnotificação

Demora

O infectologista Wellington Pinto questiona a demora na realização dos exames para detectar a doença.

— Muitas pessoas são assintomáticas ou têm sintomas inespecíficos. Muitas vezes pode estar sendo contaminado por essas pessoas que não tem sintomas exacerbados. O atraso do diagnóstico possibilitaria infecções de mais pessoas.

A coordenadora da frente de testes de diagnóstico da rede Vírus, do Ministério de Ciência e Tecnologia, Ana Paula Fernandes, confirma que há uma subnotificação de casos da Covid-19 e que o número real é, sim, maior do que apontado de forma oficial.

— Quantos desses, exatamente, correspondem a coronavírus é um processo que somente o diagnóstico molecular é que vai poder esclarecer. Hoje, nós enfrenatamos poucas equipes e estamos lidando com uma falta de insumos que é algo que trava o processo.

A falta de testes em massa na população causa impacto direto nas medidas que os governos precisam adotar para lidar com a pandemia. Dificulta, por exemplo, na determinação de quando será possível flexibilizar o isolamento social e decretar a reabertura dos comércios.

— Se nós tivéssemos maior capacidade de diagnóstico e mais alternativas além do teste molecular, os testes rápidos seriam, sim, um instrumento suplementar para o combate à epidemia. 

A Funed (Fundação Ezequiel Dias) disse ter atualizado, em 13 de abril, as análises pendentes. Até o momento, já foram liberados 95% dos casos. A fundação, disse, ainda, ter aumentado a capacidade de exames de 200 para 700.   

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