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Minas Gerais CDL pressiona por reabertura do comércio em Belo Horizonte

CDL pressiona por reabertura do comércio em Belo Horizonte

Entidade que representa comerciantes afirma esperar que a cidade tenha recursos financeiros para suprimentos de hospitais

CDL elencou 10 pontos para defender reabertura

CDL elencou 10 pontos para defender reabertura

Ana Gomes / R7

Após a Prefeitura de Belo Horizonte adiar a decisão sobre a possível reabertura da cidade, a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) voltou a defender o funcionamento do comércio.

O órgão rebateu o argumento do executivo municipal, que alegou necessidade de analisar o nível de suprimentos dos hospitais ao anunciar a decisão ser tomada até esta sexta-feira (16).

"Tendo em vista que o município de Belo Horizonte dispõe de recursos financeiros, a entidade espera que não haja problema de falta de medicamentos em nossa capital", escreveu a direção da CDL em nota. A instituição ainda fez um manifesto indicando, em sua avaliação, "dez razões que permitem a reabertura do comércio" (veja abaixo).

Em entrevista à reportagem nesta terça-feira (13), o infectologista Unaí Tupinambás, membro do comitê covid-19 afirmou que considera que este não seria o melhor momento para a reabertura da cidade. Segundo ele, a pandemia está recuando mais lentamente, provavelmente, em função das novas cepas.

Nesta quarta-feira, o Conselho de Saúde de Belo Horizonte e o Sindicato dos Professores de Universidades Federais também se manifestaram contrariamente à reabertura e pediram que o prefeito adote um lockdown.

Veja a íntegra do manifesto da CDL-BH:

Alegando  desconhecer  a  situação  do  estoque  de  suprimento  de insumos  e  medicamentos  hospitalares,  a  Prefeitura  de  Belo  Horizonte  anunciou  na  tarde  desta  quarta-feira, dia 14, que somente terá uma definição sobre a reabertura do comércio na sexta-feira, dia16. Tendo em vista que o município de Belo Horizonte dispõe de recursos financeiros, a entidade espera que não haja problema  de falta  de  medicamentos  em nossa  capital.  A  Câmara de  Dirigentes  Lojistas  de  Belo Horizonte (CDL/BH) reitera  o  que  manifestou  em nota  divulgada  ontem  e  aponta  dez  razões  para  que  o  comércio possa voltar a funcionar.

1 –A Taxa de Transmissão (RT), que é um dos indicadores utilizados pela Prefeitura para definir a abertura ou  não  do  comércio,  nas  últimas  três  semanas  teve  reduzidas  quedas  e  já  chegou  ao  nível  verde.  Esse indicador  já  atingiu  o  índice  de  1,27  e  no  Boletim  desta  quarta-feira,  14,  desceu  mais  uma  vez  e  está  em 0,87, no nível verde.

2 –Além da Taxa de Transmissão, os outros dois indicadores utilizados como critérios paraa flexibilização também  estão  acompanhando  este  ritmo  de  queda.  Atualmente,  ao  contrário  de  duas  semanas  atrás, apenas  um  indicador  está  no  vermelho,  que  é  o  número  de  leitos  de  UTI  para  tratamento  exclusivo  da doença.  A  permanecer  o  ritmo  da  queda,  podemos  crer  que  já  no  final  de  semana  ele  atingirá  o  nível amarelo.

3 –Desde  a  determinação  do  último  fechamento  do  comércio,  em  6  de  março  passado,  o  índice  de isolamento  social  não  aumentou –sempre  girou  em  torno  de  45%,  o  que  comprova  de  forma  muito evidente que o comércio não é o responsável por aglomerações. Aliás, até a própria Prefeitura já admitiu essa  realidade.  No  primeiro  fechamento  do  comércio  imposto  pela  prefeitura  este  ano  este  fato  ficou bastante evidenciado.

4 –Também  houve  um  fato  muito  positivo  desde  o  último  fechamento.  Em  5  de  março,  tínhamos  em nossa capital 575 leitos de UTI para tratamento exclusivo de Covid-19 nas Redes SUS e Suplementar. Mais recentemente já chegamos a ter 1.147, ou seja, uma ampliação de 99,5%.

5 –O mesmo aconteceu em relação aos leitos de enfermaria. No mesmo período houve uma ampliação de 1.426  para  2.207  leitos  nessa  categoria,  significando  um  aumento  de  781  unidades,  quase  55%.  Há  de  se ressaltar aqui que ao longo destes últimos treze meses essa tem sido a principal reivindicação da CDL/BH. Ainda  no  início  da  pandemia  já  alertávamos  para  a  iminente  necessidade  de  ampliação  do  número  de leitos. Sempre defendemos a tese de que é mais barato abrir leitos do que recuperar a economia.

6 –Ainda não estamos no ritmo desejado de vacinação. Pelo contrário, estamos longe ainda. Felizmente, neste  último  sábado  a  Prefeitura  teve  o  bom  senso  de  continuar  com  a  campanha.  Mas,  como  a  própria prefeitura divulgou, Belo Horizonte está em um patamar um pouco acima da média de Minas Gerais e do país.

7 –Desde  o primeiro  momento,  o  comércio  de Belo  Horizonte  sempre foi  muito  colaborativo  e engajado na  preservação  da  saúde  das  pessoas.  Da  nossa  parte,  o  lema  da  CDL/BH  nestes  últimos  treze  meses  foi preservar  vidas,  ajudar  empresas  e garantir  empregos.  Dentro  dessa  linha  de  atuação,  promovemos diversas iniciativas para garantir, em primeiro lugar, a saúde das pessoas.

8 –Desde que começou a pandemia, a CDL/BH promoveu várias campanhas de conscientização junto aos lojistas  para  que  pudessem  garantir  o  máximo  de  segurança  para  a  saúde  dos  trabalhadores  e  clientes. Sempre quando fomos autorizados a funcionar, o fizemos de forma segura e responsável. Até lançamos o selo  Loja  Segura,  para  incentivar  o  empreendedor  a  adotar  os  protocolos  necessários  e  mostrar  ao consumidor  que  ele  está  efetuando  sua  compra  em  um  ambiente  seguro.  É  necessário  ressaltar  que  as campanhas educativas foram realizadas desde o início da pandemia, antes até do primeiro fechamento do comércio,  em  março  de  2020.  A  primeira  campanha  de  prevenção  contra  o  coronavirus  na  cidade  foi promovida pela CDL/BH.

9 –Nos  últimos  treze  meses  já  tivemos  sete  datas  comemorativas.  Destas,  cinco  passamos  de  portas fechadas e outras duas funcionando com restrições. Daqui a um mês teremoso Dia das Mães, a segunda data com maior movimento no comércio. O fato de estar de portas abertas ou não será a fronteira entre a sobrevivência e o fechamento definitivo de muitas empresas. Segundo dados da Junta Comercial de Minas Gerais,  no  setor  de  comércio  e  serviços  houve  o  fechamento  de  21.321  empresas  em  Belo  Horizonte  em 2020. Este número pode ser muito maior, tendo em vista que em grande parte dos casos as empresas não registram imediatamente o encerramento de suas atividades.

10 –Por  último,  mais uma vez apelamos aqui para um pensamento cristão: “Os justos não podem pagar pelos pecadores”. O comércio já deu e continuará dando a sua cota de contribuição e sacrifício para que vidas sejam salvas. Reiteramos aqui a nossa absoluta disposição em colaborar para qualquer iniciativa que tenha  como  objetivo  conter  o  avanço  da  doença.  Porém,  não  podemos  mais  permanecer  pagando  uma conta  que  na  realidade  é  provocada  pelo  transporte  público  lotado,  pelas  festas  clandestinas  e  pelas aglomerações irresponsáveis.

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