Queda de barragem em minas
Minas Gerais Cientistas apontam contaminação do rio Doce por metais pesados

Cientistas apontam contaminação do rio Doce por metais pesados

Pesquisadores se organizaram pela internet para estudar impactos ambientais do desastre

Cientistas apontam contaminação do rio Doce por metais pesados

Pesquisadores apontam contaminação por chumbo, manganês e arsênio

Pesquisadores apontam contaminação por chumbo, manganês e arsênio

Record Minas

O grupo de cientistas de todo o Brasil que se organizou de forma independente para analisar os impactos ambientais do rompimento da barragem de rejeitos da Samarco em Mariana, na região central de Minas, divulgou o primeiro estudo nesta segunda-feira (13). A coleta das amostras de lama ao longo dos rios Doce, Gualaxo do Norte e Carmo mostra a contaminação por metais pesados em diversos trechos dos cursos d´água. 

A lama contaminada também foi observada em pontos acima do trecho atingido pelo rompimento, o que levanta a suspeita de que em determinadas áreas a contaminação seria anterior ao rompimento das barragens. Segundo especialistas, isso não diminui a responsabilidade das mineradoras, já que a enxurrada de lama foi responsável por "varrer" metais sedimentados nas margens para o leito dos rios.

Leia mais notícias de Minas Gerais no Portal R7

Experimente grátis: todos os programas da Record na íntegra no R7 Play

"Governo federal está lavando as mãos", diz promotor sobre tragédia em Mariana (MG)

Foram feitos testes para identificação de dez metais (leia o estudo completo). A contaminação por arsênio e manganês foi observada à montante (acima) do rio Gualaxo - a concentração de arsênio aumenta até Barra Longa, deixa de ser observado e volta a aparecer em Governador Valadares acima dos limites definidos pela Resolução 357 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Todos os trechos apresentavam manganês acima da norma - com exceção de um afluente que não foi impactado pela enxurrada. 

Duas amostras ainda revelaram concentração de chumbo além do recomendado no distrito de Paracatu de Baixo, em Mariana, e no encontro entre o rio Gualaxo do Norte e o rio do Carmo, já no município de Rio Doce.   

O trabalho de coleta e análise foi feito por oito professores da UnB (Universidade de Brasília) e da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos/SP). Eles fazem parte do GIAIA ( Grupo Independente de Análise de Impacto Ambiental) que se organizou em redes sociais para estudar o maior desastre ambiental do Brasil de forma independente dos governos e das mineradoras envolvidas. As análises foram feitas no laboratório da toxicologista Vivan da Silva Santos, na UnB em Ceilândia (DF).   

Histórico 

Laudos de órgãos governamentais como a ANA (Agência Nacional de Águas) e CPRM (Serviço Geológico do Brasil) divulgados em novembro não apontaram contaminação por metais pesados. Estudo do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), no entanto, confirmou a presença dos elementos na água. Análises parciais das prefeituras de Governador Valadares (MG) e Baixo Guandu (ES) também revelaram contaminantes

Segundo a Samarco, os rejeitos da mineração são inertes, formados por ferro e areia, sem risco de contaminação para o meio ambiente. A diretoria da Vale também apontou a inércia dos rejeitos, mas admitiu que a força da lama pode ter varrido para os rios metais sedimentados nas margens. 

    Access log