Minas Gerais Cliente que estragou motor em test-drive na água terá de indenizar loja

Cliente que estragou motor em test-drive na água terá de indenizar loja

Motorista tentou atravessar riacho com o veículo e danificou o motor, concessionária gastou R$ 7.417,79 para fazer o carro voltar a funcionar

Agência Estado
Desembargadores disseram que motorista sabia que carro foi feito para andar na terra, não na água

Desembargadores disseram que motorista sabia que carro foi feito para andar na terra, não na água

Hélvio Romero/Estadão Conteúdo

Uma cliente foi condenada a pagar R$ 7.417,79 em indenização a uma concessionária em Pouso Alegre, na região Sul de Minas Gerais, após ter danificado o motor de um carro durante o teste-drive.

A decisão é da 18ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça mineiro, que determinou o ressarcimento do valor gasto pela empresa no conserto do veículo.

Os desembargadores atenderam na última terça-feira (22), a um recurso apresentado pela concessionária e reformaram a decisão de primeira instância que havia afastado a tese de que a consumidora foi responsável pelos danos no carro.

Segundo o processo, a motorista dirigiu até a cidade de Capitólio, também no sul de Minas Gerais, de onde informou que o carro parou de funcionar após passar em um córrego.

Na ação, a empresa afirma que os danos decorreram de mau uso, por falta de cautela e imprudência, uma vez que a cliente entrou indevidamente com o veículo na água. Por isso, várias peças do motor precisaram ser substituídas.

Carro foi projetado para andar na terra, não na água

No recurso ao Tribunal de Justiça, a concessionária argumentou que a cliente, ao retirar o veículo, assinou um termo de compromisso. Além disso, a motorista estaria ciente de que havia um trajeto estipulado, que não incluía rios, uma vez que o carro foi projetado para rodar em vias terrestres e não para travessia de cursos d´água.

A loja também juntou ao processo o check list de entrada do veículo na oficina, que indicava que o carro não funcionava, estava molhado, sujo e com a tampa traseira amassada. A empresa completou a argumentação afirmando que o seguro cobre sinistros para uso normal do veículo, o que não foi o caso.

Para o relator, desembargador Sérgio André da Fonseca Xavier, embora o carro seja um veículo para uso nas vias terrestres rural e urbana, a mulher assinou um termo de responsabilidade ao retirar o veículo da concessionária, obrigando-se a responder pelos danos materiais causados a terceiros.

Ao tentar atravessar riacho, motorista "extrapolou"

"A apelada ao receber o veículo para "teste drive", assumiu o compromisso de conduzi-lo com responsabilidade. Ao tentar atravessar um riacho, extrapolou a atitude normal que se espera do motorista na condução do veículo", escreveu o desembargador.

Acompanharam o relator os desembargadores José Eustáquio Lucas Pereira e Arnaldo Maciel.

Últimas