Coronavírus

Minas Gerais Coronavírus: variante inédita no Brasil causa 1ª reinfecção em MG

Coronavírus: variante inédita no Brasil causa 1ª reinfecção em MG

Dados da Universidade Federal de Ouro Preto indicam que médico foi infectado pela 2ª vez por vírus com cepa de origem americana

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7

Paciente teve sintomas leves

Paciente teve sintomas leves

Divulgação / USP

A primeira reinfecção por coronavírus confirmada em Minas Gerais, nesta terça-feira (2), foi causada por uma variante até então inédita no Brasil: a linhagem americana B.1.2, que circula nos Estados Unidos desde outubro do ano passado.

A informação é do Laboratório de Imunopatologia da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto). Os dados apontam que a primeira infecção foi pela linhagem B.1.1.28, que circula no Brasil desde o início da pandemia.

O professor Alexandre Reis, que fez parte da equipe que realizou a análise dos exames do paciente de 29 anos, explica que ainda não é possível afirmar se a reinfecção aconteceu necessariamente em função da variante americana.

A cepa detectada não está no grupo considerado de alerta, chamado de "Variantes de Atenção" pelo Ministério da Saúde. Por enquanto, apenas as versões do Reino Unido, Manaus e África do Sul fazem parte da lista.

— A maior dificuldade de se constatar uma reinfecção é garantir que as amostras coletadas dos pacientes estejam bem armazenadas, incluindo aquelas da primeira infecção. No caso deste paciente, isto aconteceu.

O médico e pesquisador-colaborador Breno Bernardes, que acompanhou o paciente reinfectado, explica que os casos de testes com "falso-negativo" ou "falso-positivo" também dificultam um mapeamento mais completo no país.

— Não faltam casos suspeitos de reinfecção no Brasil, mas a maioria são reinfecções falsas. A pessoa acha que já tinha covid-19 e nunca teve porque fez um teste ruim.

Paciente

O paciente é um médico de Sabará, na Grande BH. O especialista trabalha na cidade onde mora e em Belo Horizonte e Caeté, também na região metropolitana. Ele foi diagnosticado com covid-19 pela primeira vez em maio de 2020. O segundo resultado positivo veio em 6 de janeiro de 2021, mais de 200 dias depois.

O médico, que não tem histórico de doenças, apresentou sintomas leves após chegar de uma viagem do Rio de Janeiro, onde teve contato com turistas estrangeiros. O infectado não precisou ser internado, assim como também não precisou na primeira vez.

O pesquisador Alexandre Reis avalia que as circunstâncias da reinfecção servem para chamar atenção da população.

— Na minha visão, a orientação é que as pessoas continuem tomando os cuidados de proteção, mesmo se já tiverem contraído a covid-19. Isso deve acontecer tendo ou não vacinação porque ela vem acontecendo de forma gradativa e lenta.

Após a divulgação do caso, o Governo de Minas declarou que vai intensificar as investigações relacionadas às variantes do vírus no Estado.

"A Secretaria de Estado de Saúde reforça à população a importância da manutenção de todos os cuidados para evitar a transmissão do coronavírus, como uso de máscara, distanciamento social e higienização frequente das mãos", destacou o governo em nota.

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