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Minas Gerais CPI de Brumadinho vai contrapor engenheiros e funcionário da Vale

CPI de Brumadinho vai contrapor engenheiros e funcionário da Vale

Fernando Henrique Barbosa Coelho, que trabalhava como operador, diz que gestora sabia de vazamento que ocorreu sete meses antes na barragem

Rompimento da barragem em Brumadinho deixou 270 vítimas

Rompimento da barragem em Brumadinho deixou 270 vítimas

Divulgação / Corpo de Bombeiros

Três engenheiros e um geólogo que integravam a Gerência de Geotecnia Operacional da Vale e um operador que trabalhava para a empresa foram convocados para comparecer a uma acareação nesta quinta-feira (11) durante sessão da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

O colegiado investiga as causas do rompimento da barragem de Brumadinho, em 25 de janeiro deste ano. 

O objetivo é colocar frente a frente os engenheiros Cristina Malheiros, César Augusto Grandchamp, Renzo Albieri e Artur Ribeiro e o funcionário Fernando Henrique Barbosa Coelho. Os três primeiros foram indiciados pela CPI do Senado, que entregou seu relatório final no início do mês.

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"Eles eram os responsáveis e deviam ter tomado as providências. Tem muito a explicar a esta CPI”, disse o deputado Sargento Rodrigues (PTB) na última sessão da CPI realizada na segunda-feira (8), se referindo aos integrantes da Gerência de Geotecnia Operacional.

Na ocasião,  Fernando Henrique Barbosa Coelho - que perdeu o pai, também empregado da Vale, no dia do rompimento da barragem -, relatou que sete meses antes do desastre foi registrado um vazamento de lama na grama da barragem da mina Córrego do Feijão. 

Na época, segundo ele, Cristina Malheiros, que seria a responsável técnica pela estrutura, teria pedido a funcionários da mineradora que chamassem seu pai Olavo Coelho às 22h40 em sua casa, para que ele pudesse ajudar a conter o vazamento. Apesar de não ter estudo formal, Olavo tinha muito conhecimento sobre a estrutura. 

Segundo Fernando, o episódio teria ocorrido antes mesmo da constatação de excesso de líquido na estrutura, durante a instalação de um dreno. em junho de 2018.  

“Se a barragem estava assim por fora, imagina como estava dentro dela”, relatou Fernando. No dia seguinte, seu pai disse que, se algo acontecesse, era para ele se deslocar para uma parte mais alta.

Na época, segundo Fernando, a empresa teria adotado uma solução paliativa, adicionando areia e brita no local, para filtrar a lama. Logo após o episódio, a empresa também teria feito treinamentos com funcionários. 

A sessão desta quinta-feira (11) está marcada para as 09h30.