Minas Gerais Crianças mortas em incêndio na Grande BH são enterradas

Crianças mortas em incêndio na Grande BH são enterradas

Registros policiais mostram que suspeito de ter causado incêndio ameaçou "matar toda a família" caso mulher pedisse separação

  • Minas Gerais | Enzo Menezes e Maria Paula Monteiro, da RecordTV Minas

Resumindo a Notícia

  • Uma adolescente de 15 anos e duas crianças - de 5 anos e de dois meses - foram enterrados
  • Polícia acredita que incêndio teria sido provocado pelo pai, de 43 anos, que também morreu no local
  • Mãe estava fora de casa no momento em que a casa onde ela vivia pegou fogo
  • Registros policiais mostram que pai teria ameaçado ex por conta da separação
Crianças foram enterradas neste sábado (25)

Crianças foram enterradas neste sábado (25)

Reprodução/Google Maps

Foram enterrados na manhã deste sábado (25), no Cemitério Municipal do Tijuco, em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte, a adolescente e as duas crianças que morreram em um incêndio dentro da própria casa na última quinta-feira (23). A mãe, que estava internada no hospital municipal de Esmeraldas teve alta e acompanhou o enterro dos filhos. 

Uma adolescente de 15 anos e duas crianças - uma recém-nascida de dois meses e outra de 5 anos - morreram no incêndio, assim como o pai delas, suspeito de ter incendiado a casa. A mulher teria saído de casa para pagar uma conta e não estava no local.

A RecordTV apurou que, em outubro do ano passado, ele ameaçou matar toda a família caso a ex-companheira terminasse o relacionamento. Eles estavam em processo de separação. 

No dia 7 de outubro de 2020, a mulher procurou a Delegacia de Polícia Civil de Esmeraldas pedindo medida protetiva contra o homem após uma ameaça. Ele teria dito que, caso ela deixasse a casa com as crianças "sairiam quatro cadáveres de dentro daquela casa", pois ele mataria todo mundo e cometeria suicídio.

À época, a mulher relatou aos policiais que eles estavam separados havia 10 dias e que ela estaria vivendo na casa de conhecidos por medo de que ele fizesse alguma coisa contra a família. Ela também relatou que o suspeito era agressivo e ciumento, a agredia, fazia tortura psicológica, intimidações e descontava nos animais domésticos da casa.

Uma semana depois de a mulher procurar a polícia, a equipe do Serviço de Prevenção à Violência Doméstica da Polícia Militar foi até a casa dela, que relatou, novamente, que já havia sofrido agressões mas que a ameaça contra a família tornou a situação ainda mais grave. 

Ela também contou que o ex-companheiro tinha transtornos depressivos, falava em suicídio e que, no dia 11 de outubro de 2020, ele teria feito uso de altas doses de medicamentos e chegou a deixar um bilhete. Ele foi socorrido por vizinhos. 

Dez dias depois desse fato, a PM notificou o homem por violência doméstica e que ele poderia ser preso ou monitorado por tornozeleira. Na ocasião, ele teria informado aos policiais que não foi intimado, mas que estaria procurando evitar a ex. Constam nos registros, que a polícia ainda tentou contato com ele outras duas vezes, ainda no ano passado, para dar orientações, e que procurou a mulher também duas vezes, mas ela não foi localizada. 

Investigação

De acordo com a Polícia Civil, uma investigação sobre o incêndio foi aberta nesta quinta-feira (23). A perícia técnica esteve no local.

Em nota, a PC disse, ainda, que não descarta nenhuma hipótese para o incêndio, inclusive o de acidente, mas que trabalha, inicialmente, com a hipótese de suicídio "e o consequente atingimento dos menores ou mesmo a agressão daquele contra os menores e, posteriormente, o seu suicídio".

O que se sabe sobre o incêndio?

Até o momento, o que se sabe é que quatro pessoas morreram no incêndio que atingiu uma casa no bairro Tijuco, em Esmeraldas, no fim da tarde desta quinta-feira (23). No local, foram identificados os corpos de um adulto de 43 anos (que seria o suspeito de ter praticado o incêndio), um recém-nascido e uma menina de cinco anos.

Uma adolescente de 15 anos foi levada, de helicóptero para o Hospital João 23, em Belo Horizonte, referência no atendimento de queimados, com 90% do corpo queimado. A morte da jovem foi confirmada nesta sexta-feira (24).

Últimas