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Minas Gerais Diretores da Vale negligenciaram poluição ambiental, diz polícia

Diretores da Vale negligenciaram poluição ambiental, diz polícia

Polícia Civil indiciou a empresa, um ex-presidente da companhia e outros três gestores por crimes ambientais em uma unidade de Nova Lima (MG)

Irregularidades ocorreram em Nova Lima (MG)

Irregularidades ocorreram em Nova Lima (MG)

Reprodução / Google Street View

Um inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais aponta que quatro gestores e ex-diretores da mineradora Vale, entre eles o ex-diretor-presidente Murilo Ferreira, negligenciaram que uma unidade da empresa em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, estaria causando problemas ambientais à região e à população que vive no entorno da fábrica.

As irregularidades teriam acontecido no setor que faz o tratamento de minério no Complexo Vargem Grande, entre os anos de 2011 e 2014. Segundo o inquérito, ao qual o R7 teve acesso, a companhia liberou gases poluentes acima da quantidade permitida por lei, água sem tratamento e emitiu ruídos com altura além da autorizada para áreas rurais.

Para concluir as investigações, o Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Meio Ambiente solicitou documentos da Semad (Secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) que indicam que as falhas podem ter causado danos à saúde da população e de animais.

No último dia 18 de julho, o delegado Bruno Tasca Cabral indiciou a Vale e os quatro então gestores responsáveis pelas operações por crimes ambientais. De acordo com o relatório assinado pelo policial, “todos, no âmbito de suas respectivas atribuições, poderiam ter adotado uma postura ativa diante dos danos ambientais, decorrentes do empreendido, os quais foram praticados de forma continuada e por período de tempo ininterrupto”.

Veja quem são os indiciados:

    • Murilo Pinto de Oliveira Ferreira, ex-diretor-presidente da Vale

Segundo o inquérito, Ferreira tinha conhecimento sobre as reclamações dos moradores da região referentes aos problemas ambientais e sabia que um dos diretores da companhia estaria evitando se reunir com a população para debater o assunto. Em depoimento, o executivo negou responsabilidade sobre as questões ambientais.

    • José Flávio Gouveia, diretor de ferrosos Sul

Gouveia afirmou aos investigadores que sabia que a empresa havia sido notificada sobre a emissão irregular de gases e materiais poluentes, mas declarou que não era responsável pelo assunto.

    • Mauro Lobo de Resende, diretor de meio ambiente

As investigações apontam que Resende também sabia das falhas ambientais da empresa. Segundo o inquérito da Polícia Civil, ele teria poder para "propor e agendar reuniões para deliberar sobre as questões do Complexo Vargem Grande", mas não fez nada sobre o assunto.  O investigado declarou, em depoimento, que não era o responsável pelas questões ambientais da usina.

    • Romildo Facalossi, gerente de meio ambiente da pelotização

O resposável pela fiscalização do cumprimento das regras ambientais confirmou à polícia que a Vale constatou a emissão de partículas fora do padrão, causada por problemas de "durabilidade nas mangas utilizadas nos filtros”. Facalossi alegou que a emissão do material não provocou qualquer alteração na qualidade do ar no entorno da empresa. Sobre a água contaminada lançada no meio ambiente, o gestor explicou que uma estação de tratamento foi construída para corrigir o problema.

Procurada pelo R7, a Vale informou que “tomou ciência do relatório final do inquérito policial” e que “está avaliando o caso e tomará todas as medidas legais cabíveis”. A reportagem não localizou os advogados dos então funcionários indiciados.