Documentos falsos foram usados para atestar segurança de barragem

PF indiciou sete funcionários da Vale e seis da Tüv Süd, que sabiam dos riscos de rompimento na barragem de Brumadinho que causou 270 mortes

Bombeiros resgatam mulher que ficou submersa na lama

Bombeiros resgatam mulher que ficou submersa na lama

Reprodução

Funcionários da Vale e da empresa de consultoria alemã Tüv Sud sabiam do risco de rompimento da barragem B1, em Brumadinho, e mesmo assim atestaram a estabilidade da estrutura por meio de documentos falsos. Em 25 de janeiro deste ano, a barragem se rompeu e 270 pessoas morreram

A Polícia Federal indiciou, nesta sexta-feira (20), 13 funcionários, além das duas empresas. A PF decidiu desmembrar o inquérito porque já tem elementos para pedir a condenação dessas pessoas por falsificação e uso de documentos falsos. Dessa forma, as investigações sobre crimes contra a vida e ao meio ambiente ainda seguem.

O crime de falsificação e uso de documentos falsos foi cometido três vezes, uma em junho de 2018, quando a Tüv Süd elaborou relatório e o inseriu no sistema da ANM (Agência Nacional de Mineração), e outras duas vezes em setembro do mesmo ano, quando, a consultora alemã entregou o documento de inspeção regular da barragem à ANM e à Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente). As penas, somadas, podem chegar a 27 anos.

Funcionários sabiam do risco

Segundo o delegado da Polícia Federal Luiz Augusto Pessoa Nogueira,todos os 13 indiciados tinham conhecimento das falhas e potencial de risco na barragem que se rompeu em 25 de janeiro e deixou 270 vítimas.

— Nós temos depoimentos, documentos de reuniões que eles participavam, de paineis de especialistas, conversas de e-mails em que eles sentem dificuldade em atestar, dizem que a barragem não vai conseguir passar. E mesmo assim eles atestaram. 

As investigações apontaram, ainda, que a Tüv Süd assumiu o contrato com a Vale depois que duas outras consultorias se negaram a atestar a estabilidade da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. O delegado ainda apontou que em pouco mais de um ano, a empresa alemã fechou cinco contratos com a Vale no valor de R$ 6,4 milhões e tinha interesse em assinar o laudo de segurança da barragem para continuar prestando serviços para a empresa.

— A Tüv Süd, de certa maneira, forçou a barra para assinar a Declaração de Condição de Estabilidade porque ela não queria criar nenhum tipo de conflito ou resistência para novos contratos com a Vale. 

Outro lado

A reportagem entrou em contato com as duas empresas sobre o indiciamento de seus funcionários pela Polícia Federal. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Tüv Süd disse que não iria comentar.

Já a Vale disse que tomou conhecimento nesta sexta-feira (20) sobre o inteiro teor do relatório e que vai avaliar o texto antes de se manifestar. Segundo "a mineradora, a empresa e seus empregados continuarão contribuindo com as autoridades e responderão às acusações no momento e ambiente oportunos".