Minas Gerais Doze motoristas de ônibus são demitidos após protesto em MG 

Doze motoristas de ônibus são demitidos após protesto em MG 

Profissionais fazem manifestação contra o parcelamento do 13° salário desde a última sexta-feira (28), em Ribeirão das Neves; empresa alega justa causa

  • Minas Gerais | Kiuane Rodrigues, da Record TV Minas

Profissionais foram demitidos após as manifestações

Profissionais foram demitidos após as manifestações

Reprodução/RecordTVMinas

Ao menos 12 motoristas de ônibus de uma empresa de Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, foram demitidos após protestarem contra o parcelamento do 13° salário da categoria. A manifestação dos profissionais ocorre desde a sexta-feira (28). 

Em um vídeo gravado pelos próprios motoristas é possível ver a carta de demissão recebida por eles nesta semana. O motivo alegado pela empresa para a demissão é justa causa. Os profissionais ficaram indignados com a situação. 

"Eu tenho 30 anos no transporte coletivo e nunca fui demitido por justa causa. Eu tenho nove anos de empresa. Eu estou muito indginado", disse um motorista. 

Eduardo César também é um dos 12 motoristas de uma empresa de transporte de passageiros demitidos depois da paralisação.

— A empresa não dá condições para a gente trabalhar, o ticket alimentação foi reduzido para menos da metade. Nenhum motorista também não conseguiu sacar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). 

Reclamação

A greve dos motoristas foi iniciada depois que a empresa anunciou que pagaria o 13º salário em cinco parcelas. Os motoristas também reclamam de redução salarial.

Um acordo coletivo firmado pela empresa com o sindicato da categoria, no início da pandemia, reduziu o pagamento e a jornada de trabalho dos motoristas, conforme as regras da Medida Provisória 936. Só que César alega que os profissionais têm feito horas extras sem receber por elas. 

— A gente trabalha de 9 a 10 horas por dia, em média. No contrato diz que a gente tem que trabalhar 6 horas e 40 minutos. 

Wanderson Elias é advogado dos motoristas demitidos. Ele diz que pretende entrar com um pedido de anulação da justa causa e ainda pedir danos morais.

— Tendo em vista que eles foram dispensados como líderes do movimento que eles não fizeram, foi uma paralização espontânea. Manifestação que não foi só por motivos financeiros, mas também por saúde. 

Suspensão da greve

Na manhã desta quarta-feira (2), os motoristas e cobradores de ônibus suspenderam a greve que realizavam há três dias e voltaram ao trabalho. 

Durante a tarde desta terça-feira (1°), a categoria havia fechado um acordo com a transportadora Saritur, que se comprometeu a pagar o 13º em duas parcelas, como previsto em lei. A primeira foi depositada na última segunda-feira (30).

A Justiça do Trabalho decidiu, na noite desta terça-feira (1°), pelo fim da greve dos rodoviários. O pedido de dissídio coletivo apresentado pelo Sintram teve fixada multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

Outro lado

Em nota, o Sintram afirmou que o sistema metropolitano opera normalmente nesta quarta-feira (2) e "todo colaborador que deixar de comparecer ao trabalho em desacordo com a Lei de Greve, que estabelece o transporte coletivo como essencial, será desligado".

Confira a nota na íntegra:

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram) esclarece que todo colaborador que deixar de comparecer ao trabalho em desacordo com a Lei de Greve, que estabelece o transporte coletivo como essencial, será desligado. A negociação tanto para pagamento de salário como do 13º é feita junto ao sindicato da categoria, que acatou a proposta das empresas consorciadas. Portanto, a paralisação realizada por parte dos motoristas foi alheia ao acordo feito com o sindicato da categoria. As empresas associadas ao Sintram estão com vagas abertas e de contratação imediata para motoristas que quiserem trabalhar no sistema metropolitano.

Últimas