Novo Coronavírus

Minas Gerais Em Minas, 599 cidades fizeram menos de 10 testes PCR para covid

Em Minas, 599 cidades fizeram menos de 10 testes PCR para covid

Levantamento mostra que 841 dos 853 municípios testaram menos que a média nacional e 98 cidades não fizeram nenhum teste molecular

Minas é um dos Estados com menor testagem

Minas é um dos Estados com menor testagem

Odair Leal/Secom

Minas Gerais é um dos estados que menos realizou testes para detectar o novo coronavírus no país. A RecordTV Minas analisou dados dos exames realizados nos 853 municípios mineiros para saber a realidade em cada um deles. E a resposta é que 599 cidades fizeram menos de 10 testes PCR desde o início da pandemia, em março. Em 98 municípios, sequer um teste PCR foi aplicado.

Além disso, 377 cidades mineiras fizeram 10 ou menos testes rápidos, sendo que 45 deles não realizaram nenhum.

Minas não pretende ampliar os testes de covid-19 por enquanto

Ajustando o cálculo para a população de cada uma das cidades, obtém-se o índice de testagem a cada 1 mil habitantes, e aí aparece o drama dos municípios mineiros: das 853 cidades, em 841 foram feitos menos testes RT-PCR que a média nacional.

Em relação aos testes rápidos (que mostram anticorpos e são usados em situações específicas), são 777 municípios do interior de Minas com média de testagem menor que a do Brasil, que é um dos países que menos faz exames para o novo coronavírus no mundo.

O levantamento leva em conta todos os 31 mil exames RT-PCR e 78.109 testes rápidos realizados na rede pública em Minas até o dia 22 de junho de 2020, que é o dado mais recente detalhado pela SES (Secretaria Estadual de Saúde).

Na quarta-feira (24), a SES divulgou que já eram 33.132 PCR em laboratórios públicos mineiros e outros 59.321 em particulares, mas não detalhou a ocorrência por cidade.

Pontos mais escuros são cidades com mais testes realizados

Pontos mais escuros são cidades com mais testes realizados

Reprodução/RecordTV Minas

Sem testes, sem prevenção

Os cálculos relacionando o número de testes à população de cada localidade foram feitos pelo epidemilogista Stefan Vilges, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a pedido da reportagem.

O professor coordena um estudo sobre a incidência da Covid-19 e monitora a subnotificação dos casos. Ele destaca o baixo índice de monitoramento.

— Chama a atenção porque o Brasil já é um dos países que menos faz testes, e a média em Minas é a metade da média nacional. Os testes parecem concentrados nos grandes centros em Minas, pois 60% das cidades fizeram menos de 10 testes e 10% de todos os municípios mineiros não fez nenhum teste molecular.

O governador Romeu Zema já afirmou que testes só servem para satisfazer “curiosidade de pesquisador” e que "testes não salvam vidas, são apenas termômetros". O pesquisador explica que o combate à epidemia fica comprometido sem as análises.

— Quando a gente não testa, a gente não tem a informação adequada. Andamos num campo minado, o que acaba prejudicando as ações. Testar pouco coloca em risco a população, pois a gente desconhece o tamanho do problema. Inclusive pelo alto número de assintomáticos, que são propagadores da doença mesmo sem saber.

O boletim diário do Estado também destaca que 201 cidades mineiras não têm casos de Covid-19. Nas últimas duas semanas, 34% dos testes PCR deram positivo em Minas. no começo de maio, eram 9%. 

Outro lado

A reportagem questionou o Governo de Minas sobre os municípios que não receberam testes. A Secretaria Estadual de Saúde respondeu que Minas tem média de 1.003 testes por 100 mil habitantes, mas para este cálculo soma testes diferentes, como o PCR e os rápidos.

"Para esse cálculo, são considerados todos os testes realizados ou notificados no Estado, como os moleculares e sorológicos, bem como a produção das redes pública e privada".

A SES destaca, ainda, que "a média de testagem diária até o presente momento é de 288 exames/dia. Esta média diária está aquém da capacidade instalada da rede, mas é influenciada pela capacidade de testagem em relação aos recursos humanos e insumos disponíveis" e que para ampliar e descentralizar os diagnósticos de Covid-19 desenvolveu protocolo para habilitar laboratórios que atendam todos os critérios de estrutura e equipamentos, "além de atingir 100% de concordância nos testes realizados no painel de amostras".

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