Em protesto, petroleiros vendem botijão de gás a R$ 40 em BH

Venda faz parte de protesto convocado pelos petroleiros, em greve há uma semana; para eles, esse preço é o justo para a empresa e para a sociedade

Reprodução/Record TV Minas

Um protesto liderado pelo Sindpetro (Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais) levou uma multidão ao bairro Santo André, na região Noroeste de Belo Horizonte. Isso porque os trabalhadores estavam vendendo botijões de gás a R$ 40. O preço, na capital mineira, varia entre R$ 65 e R$ 95. Foram vendidos 200 botijões.

Os petroleiros estão em greve há uma semana e, de acordo com o diretor do sindicato, Alexandre Finamore, o objetivo foi fazer uma denúncia de que o preço do gás de cozinha poderia ser mais baixo em Belo Horizonte. 

— É um protesto como forma de denúncia para sociedade de que o preço do gás da cozinha, do diesel e da gasolina pode ser mais barato, garantindo o lucro da empresa e um preço justo para a sociedade

De acordo com o IBGE, 18% da população brasileira não tem acesso ao gás de cozinha por causa do preço do botijão. Por isso, muita gente acabou sendo obrigada a adotar uma alternativa que já tinha ficado no passado: o fogão à lenha. 

É o caso da família de Shirley Jaqueline, formada por seis crianças e três adultos. Todos os meses eles gastam mais de dois botijões e, quando a situação apertou, o jeito foi cozinhar, por mais de um ano, no fogão à lenha, o que acabou causando problemas de saúde para as crianças.

— Agora nos demos uma parada, porque a fumaça estava fazendo mal. As crianças têm bronquite

Há seis meses a família voltou a fazer comida usando o gás de cozinha. Segundo ela, o custo pesa no orçamento.

— São quase R$ 200. Aperta muito, ainda mais que na família tem gente desempregada.

Cleonice está desempregada, tem três filhas e logo que soube que o gás seria vendido a R$ 40 reais, correu para garantir o dela.

— Normalmente eu pago R$ 78 ou R$ 65, varia

A FUP (Federação Única dos Petroleiros) informou que 70 unidades do sistema Petrobras, em 13 estados, estão em greve. Eles são contra demissões em massa e lutam pelo cumprimento do acordo coletivo de trabalho.

Resposta

Em nota, a Petrobras informou que o Tribunal Superior do Trabalho considerou a greve dos petroleiros abusiva e que foi determinado bloqueio de contas e suspensão do repasse mensal às entidades sindicais por descumprimento da decisão judicial. A FUP teria descumprido o acordo de manter um contingente mínimo de 90% dos trabalhadores.  

Ainda conforme a estatal, o TST decretou inconstitucional a incorporação de funcionários da fábrica da Ansa (Araucária Nitrogenados) aos quadros da Petrobras, já que eles não são concursados. Para a estatal, essa é a principal motivação da greve dos petroleiros.