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Minas Gerais Expansão da covid-19 no interior e Grande BH pressiona a capital

Expansão da covid-19 no interior e Grande BH pressiona a capital

Prefeitura decidiu não ampliar a flexibilização do isolamento social na cidade com base no aumento das taxas de transmissão da capital e outras cidades

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli e Luiza Lanza*, do R7

Estado vem registrando aumento no número de casos de covid-19

Estado vem registrando aumento no número de casos de covid-19

Reprodução / SES-MG

O aumento da taxa de transmissão da covid-19 nas cidades da região metropolitana e no interior do Estado como um todo pressionou a Prefeitura de Belo Horizonte a não avançar na flexibilização do isolamento social na capital.

Na última sexta-feira (22), quando o secretário de saúde Jackson Machado anunciou a autorização para abertura de cerca de 10 mil estabelecimentos, o indicador R0, em Belo Horizonte, estava em 1,08. Isso significa que, cada grupo de 100 pessoas com o novo coronavírus estavam transmitindo para outras 108. 

No entanto, uma semana depois, essa taxa foi para 1,24, ou seja, um grupo de 100 pessoas com covid-19 estavam transmitindo o vírus para outras 124. Esse indicador acendeu o alerta no Executivo municipal. 

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Segundo o infectologista Carlos Starling, que integra o Comitê de Enfrentamento à Covid-19, outras cidades da região metropolitana e do interior do Estado apresentam taxas ainda mais elevadas. O especialista citou as cidades de Itabira (com taxa de transmissão de 11,7), Governador Valadares (5), Uberlândia (5,1), Teófilo Otoni (12), Araxá (20), para ilustrar a expansão da contaminação no interior do Estado. 

— Temos uma influência de São Paulo e do Rio, que vai progredindo para o interior, região Sul, Triângulo e vai seguindo a Rio-Bahia [BR-116]. Nós recebemos forte influência do interior e, por isso, temos que ser responsáveis com essa flexibilização e botar o pé no freio essa semana. 

Indicadores

O secretário de saúde Jacson Machado também chamou a atenção para o aumento na taxa de ocupação de leitos, tanto de enfermaria, como de UTI. 

— No dia 27, a taxa de utilização dos leitos de UTI estava em 52%. O dado do dia 28 é de 55%.  A taxa de leitos de enfermaria era 42% e, ontem, foi para 43%. Temos um indicador vermelho [taxa de transmissão] e um amarelo [ocupação dos leitos de UTI]. Então, por coerência, nós decidimos não fazer a segunda onda da primeira fase de abertura para termos tempo de monitorar com calma o que vai acontecer.

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"Consciência"

O prefeito Alexandre Kalil, que não compareceu à entrevista coletiva, da semana passada, que definiu a primeira etapa da liberação do comércio em Belo Horizonte, esteve presente nesta sexta-feira (29) e disse que a capital mineira tem que ter "consciência", já que pacientes de outras cidades irão procurar os serviços de saúde de BH. 

— Belo Horizonte não tem dúvida de que é a cidade mais bem preparada para receber e, por isso, os números. Mas nós temos notícias assustadoras do interior. Não tem culpado, o culpado é um sistema estadual sucateado há anos, vamos deixar isso muito claro. Nós temos a consciência de que somos a capital e temos a consciência de que isso vai bater na nossa cara.

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