Coronavírus

Minas Gerais Familiares de detentos dizem não ter notícia sobre covid em presídios

Familiares de detentos dizem não ter notícia sobre covid em presídios

Desde março, quase 10 mil detentos foram para a prisão domiciliar; mesmo assim, Minas Gerais já confirmou 1.463 casos dentro das penitenciárias

  • Minas Gerais | Enzo Menezes e Hellem Malta, da RecordTV Minas

Desde março, 9.926 detentos foram mandados para prisão domiciliar pela Justiça mineira por fazerem parte de grupos de risco para a covid-19. Desse total, 571 (5,75%) voltaram a cometer crimes e foram mandados, de novo, para a cadeia.

Minas Gerais tem 1.463 casos confirmados de Covid dentro dos presídios e seis mortes provocadas pela doença. Os dados foram obtidos pela Record TV via Lei de Acesso à Informação. Familiares reclamam da falta de notícias sobre a situação da pandemia dentro dos presídios.

O irmão da artesã Lucimara está preso há 10 meses no presídio José Martinho Drumond em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a artesã, ele tem problemas respiratórios e testou positivo para a covid-19.

— Como ele deu positivo e continuou preso, não levaram meu irmão para o hospital. Um advogado esteve aqui e não deixaram nem ele ter contato com o preso, informando que eles estava em isolamento por conta da covid-19. 

O marido da confeiteira Deia Leal está na mesma situação. Ela tem um exame que confirma que ele testou positivo para a doença, além de cópias de e-mails enviados ao presídio em busca de notícias.

— A gente tenta ligar no presídio, mas não atendem as ligações. Eles antes respondiam o e-mail, não estão respondendo mais e, quando a gente consegue falar, eles informam que não podem passar a informação por telefone. 

Desde o início da pandemia, as visitas de familiares de detentos estão suspensas em todo o Estado. De acordo com a confeiteira, a advogada da família esteve no local e constatou que o preso precisa de atendimento médico. Além de ter testado positivo para a covid-19, o companheiro dela é asmático.

— Não tem condição de dar atendimento. O presídio nem médico tem.

Segundo familiares, os detentos com suspeita de covid-19 e até mesmo os que já foram diagnosticados com a doença, estão convivendo nas celas, aglomerados e não estariam recebendo atendimento médico adequado. A falta de assistência teria até mesmo motivado um protesto na porta do presídio. 

A advogada criminalista Júlia Afonso de Oliveira Costa, membro do Instituto Anjos da Liberdade afirma que os direitos dos presos não estão sendo respeitados. 

Com a suspensão das visitas, os familiares podem se comunicar com os detentos por meio de cartas, telefone ou videoconferência, conforme orientação do presídio.

A Secretaria de Administração Prisional informou, ainda, que disponibiliza informações sobre as ações contra a covid-19 via Whatsapp para as famílias cadastradas e também pelos canais oficiais. E que o estado de saúde dos presos acometidos por algum problema é comunicado às famílias a partir de autorização do detento.

Progressão de regime

Em Minas, 2.863 presos conseguiram o benefício de cumprir suas penas em casa por conta da pandemia. Só na Grande Belo Horizonte, foram 1.700 alvarás de soltura por este motivo. Os dados consideram decisões judiciais tomadas entre os dias 16 de março e 2 de abril de 2020 e, por isso, o número real pode ser maior.

Minas Gerais tem 1.463 casos confirmados de Covid-19 dentro dos presídios, sendo 795 curados e 8 mortes provocadas pela doença (seis por covid-19, um detento com covid se matou e outro paciente foi assassinado na cela); do total, 795 se curaram, 531 estão presos e 88 em prisão domiciliar.

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